O Festival de Cannes 2025 começou com brilho, aplausos e um pouco de controvérsia. Entre blockbusters fora da competição, comédias musicais decepcionantes e dramas poéticos em destaque, os primeiros três dias trouxeram o contraste típico do festival: glamour na Croisette e cinema em todas as formas.
Partir un Jour: A Abertura que Não Convenceu
O filme escolhido para abrir oficialmente o festival, Partir un Jour, da diretora Amélie Bondin, acabou sendo um verdadeiro anticlímax. Com a proposta de ser uma comédia musical francesa leve e nostálgica, o filme tenta capturar o charme dos anos 90 por meio de números musicais e uma trama de reencontro entre velhos amigos.

Infelizmente, o resultado passou longe de cativar o público. Com humor sem força, interpretações musicais sofriveis e uma narrativa sem apelo emocional, o longa pode ser considerado esquecível. A recepção morna e os bocejos discretos na sala confirmaram: Cannes já teve estreias muito mais impactantes.
Tom Cruise e a Missão de Roubar a Cena
No segundo dia, Tom Cruise desembarcou em Cannes com o lançamento especial de Missão: Impossível 8 – O Ajuste de Contas Final. Apesar de não estar na seleção oficial, o filme teve exibição de gala e atraiu multidões para o tapete vermelho. O astro hollywoodiano, mais uma vez, mostrou sua habilidade de dominar o show.

Mas o momento viral veio por outro motivo: o elenco do filme, incluindo Cruise, quebrou uma das regras de ouro do festival — tirar selfies no tapete vermelho. Mesmo com alertas frequentes dos organizadores para manter o clima solene e elegante do evento, o grupo fez poses para fotos e vídeos com celulares em mãos, com selfie em grupo. O que vocês acham? Um gesto moderno e espontâneo ou uma quebra de protocolo desnecessária?
Sound of Falling: Cinema Exigente na Competição
Na competição oficial, um dos primeiros grandes destaques foi o drama alemão Sound of Falling, dirigido por Mascha Schilinski. O filme oferece uma experiência profunda e silenciosa, com um refinamento técnico raro.

A história acompanha quatro meninas vivendo em épocas distintas, mas em um mesmo vilarejo alemão, abordando temas como solidão, violência e descoberta. Sem recorrer a grandes diálogos, a diretora constroi uma atmosfera emocional através da imagem e do som. A fotografia delicada, a montagem cuidadosa e a direção sonora criam um retrato quase poético da passagem do tempo. Um filme exigente, mas que recompensa com beleza e significado.
Cannes 2025 começou misturando o espetáculo de Hollywood com a busca pelo cinema autoral europeu. Tom Cruise trouxe carisma (e selfies proibidas), Partir un Jour decepcionou com uma abertura sem brilho, e Sound of Falling mostrou que o festival ainda sabe revelar joias do cinema contemporâneo. Com tantos contrastes já nos primeiros dias, a edição deste ano promete emoções — e opiniões — para todos os gostos. Seguimos acompanhando.
