Chega aos cinemas essa semana uma das estreias mais aguardadas do ano, Casa Gucci, filme estrelado pela musa pop Lady Gaga (Nasce uma Estrela) que tem ao seu lado o parceiro Adam Driver (Star Wars: O Despertar da Força) e um elenco de peso formado por nomes como Al Pacino, Robert de Niro e Salma Hayek. O longa tem como plano de fundo o assassinato brutal de Maurizio Gucci (Driver), principal herdeiro de uma das maiores empresas de moda, a Gucci, este que foi morto a mando de sua própria esposa, Patrizia Reggiani, interpretada pela cantora norte-americana. A obra cinematográfica é baseada no livro ‘Casa Gucci: Uma História de Glamour, Cobiça, Loucura e Morte’, da jornalista Sara Gay Forden, além de ser dirigida pelo veterano cineasta Ridley Scott (Gladiador).

O crime chamou atenção por todo contexto bizarro, onde Gucci e Reggiani, já nos primeiros anos de casamento, passaram por diversas situações conturbadas e decidiram se divorciar. O processo de separação foi tão complexo que chegou a durar pelo menos uma década. Durante esse período a relação entre o casal ficou muito tensa, onde a própria Reggiani disse em um programa de TV aberta que o matrimônio acabou porque o marido a abandonou de forma repentina. Depois de fazer uma viagem para Florença, Gucci nunca mais voltou para casa, então, após isso, a mulher teve que passar por uma cirurgia de emergência ao descobrir que possuía um tumor no cérebro. Reggiani disse que o ex-marido não foi visitá-la ou sequer ofereceu ajuda no momento mais difícil de sua vida. Tudo isso piorou quando Reggiani descobriu que Gucci estava namorando uma mulher 10 anos mais nova que ela.

Eu estava brava com Maurizio por muitas coisas naquela época. Mas, acima de tudo, por essa nova relação. Perder os negócios da família, isso foi estúpido, um verdadeiro fracasso. Ele não deveria ter feito isso comigo.”, confessa Patrizia Reggiani que tinha medo que ela e suas filhas pudessem dividir a fortuna do marido com a nova companheira. Toda essa mágoa e raiva que Reggiani guardava por Gucci era de conhecimento popular, como ela mesmo falou no programa de TV já mencionado: “Eu admito que, por um tempo, realmente queria me livrar dele. Queria fazer isso e andava pedindo às pessoas que o fizessem. Mas minhas intenções terminaram ali — era só uma mera obsessão, um mero desejo. Que esposa nunca disse algo como: eu mataria esse cara?”.



Porém, não foi só um mero desejo, em 1995, Maurizio Gucci foi surpreendido e assassinado com quatro tiros disparados por um matador profissional, onde tudo obviamente apontava para sua ex-esposa, certamente a pessoa que mais o odiava na época. Porém, embora Patrizia fosse a principal suspeita de ordenar o assassinato de Maurizio, faltavam provas para comprovar seu envolvimento com o crime. O caso, aliás, ficou aberto por dois anos, mas uma nova investigação fez com que ela fosse julgada e condenada. Após anos atrás das grades, quando Patrizia Reggiani foi solta disparou: “Naquela época eu estava convencida que uma criatura como ele não merecia viver. Por quê? Nunca contarei”.

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Outros crimes reais tão ou mais terríveis que esse do casal Gucci já foram adaptados para os cinemas e chocaram o mundo inteiro. Dessa vez vamos listar aqui dez casos marcantes dessas adaptações que viraram filmes incríveis e até hoje são muito lembradas pelos fãs de thrillers e demais vertentes do estilo. Coloca também nos comentários quais foram os filmes baseados em histórias reais mais chocantes que você já viu e se esquecemos de citar algum em especial.

Pânico (O estripador de Gainesville)



Danny Rolling, também conhecido como “O Estripador de Gainesville”, foi um serial killer americano que matou cinco estudantes em Gainesville, no estado da Flórida. Rolling confessou posteriormente que estuprou várias das suas vítimas e que cometeu um triplo homicídio na Louisiana, além de tentar matar o seu próprio pai em maio de 1990. Ele confessou ter matado oito pessoas no total, sendo condenado a morte e executado por injeção letal em 2006. Os seus crimes inspiraram Kevin Williamson em um roteiro que se tornaria o filme Pânico, de 1996, dirigido por Wes Craven. Kevin pegou vários detalhes dos crimes, como o fato de Rolling usar máscara, uma faca de caça ka-bar, se vestir de preto e invadir casas durante à noite. Elementos que já eram parecidos com aqueles vistos nos filmes slasher.

O Bar Luva Dourada (O serial killer de Hamburgo)

Fritz Honka foi um assassino em série alemão que durante 1970 e 1975 matou pelo menos quatro mulheres em Hamburgo e manteve todos os corpos no seu apartamento. Durante seu julgamento, Honka descreveu sua juventude: “Meu pai estava num campo de concentração e eu estava em um para crianças. Após sermos capturados, fomos enfim libertados pelos russos.” Então vigia noturno, Honka cometeu o seu primeiro assassinato quando estrangulou Gertraud Bräuer, uma cabeleireira de 42 anos que também era prostituta ocasional. O assassino serrou o cadáver em pedaços, embrulhou e escondeu em vários lugares nas proximidades locais. Ele ainda cometeria outros assassinatos ao longo dos anos, mas dessa vez guardaria os corpos no sótão da sua casa. O diretor alemão Fatih Akin adquiriu os direitos do romance escrito por Heinz Strunk, a respeito dos crimes de Honka, e fez uma adaptação para o cinema chamada de O Bar Luva Dourada, um filme que poucos tiveram coragem de ver. Fritz Honka foi interpretado pelo ator e modelo alemão Jonas Dassler, irreconhecível no papel.

Monster: Desejo Assassino (A prostitua assassina)



O filme Monster conta a história de Aileen Wuornos, prostituta de Daytona Beach, Flórida, que atraiu e matou sete empresários de meia-idade numa floresta. Ela cometia os crimes quando prestava serviços sexuais, sendo conhecida popularmente como a prostitua assassina. Logo de início, Aileen alegou que tinha agido em legítima defesa e que os homens que matou tentaram estupra-la e agredi-la fisicamente. Mais tarde ela mudou a história e disse algo chocante: “Eu odeio os humanos há muito tempo. Sou uma serial killer. Eu matei todos a sangue frio e com maldade“. A lindíssima atriz sul-africana Charlize Theron faturou o Oscar por se transformar na figura horripilante da Aileen Wuornos.

Zodíaco (O serial killer nunca encontrado)

O caso envolvendo o assassino Zodíaco ficou famoso por dar início a uma longa investigação que jamais desvendou a identidade do criminoso, este que pode ter matado de 5 a 30 pessoas ao longo de vários anos. Experiente no assunto desde Seven – Os Sete Crimes Capitais, o diretor David Fincher se concentrou na paranoia vivida pelas pessoas da cidade que ocorreram os assassinatos e na sensação de impotência dos jornalistas Robert (Jake Gyllenhaal) e Paul (Robert Downey Jr.), além do investigador da polícia David (Mark Ruffalo). Fincher se baseou no livro de Robert Graysmith e criou a sua própria linha investigativa através das cartas enviadas pelo Zodíaco, onde vemos detalhadamente cada momento vivido por todos envolvidos no crime e tentamos descobrir os códigos das cartas junto aos investigadores.

A Troca (Os crimes do galinheiro de Wineville)


A Troca, filme de Clint Eastwood que é estrelado por Angelina Jolie, foi baseado nos sequestros e nas mortes reais de mais de 20 garotos na Califórnia durante a década de 1920. Um garoto de 9 anos de idade, Walter Collins, desapareceu em março de 1928. A polícia encontrou um garoto que dizia ser Walter Collins meses depois. A mãe, Christine, disse que ele não era o seu filho, mas a polícia fez com que a mulher levasse o menino pra casa. Mais tarde, ela foi transferida para uma ala psiquiátrica onde insistia que a polícia havia lhe entregado de volta o garoto errado. Collins, na verdade, havia sido sequestrado e assassinado por Gordon Stewart Northcote, de 21 anos. Northcote levava os garotos para sua fazendo, abusava deles e os levava para a incubadora de galinhas para assistir a pintinhos nascerem. No lugar, o criminoso os matava com um machado.

Psicose (O açougueiro de Plainfield)

Alfred Hitchcock tem como um dos maiores destaques da sua carreira o clássico Psicose, filme baseado no romance de Robert Bloch que foi inspirado nos crimes cometidos por Ed Gein durante os anos 1950. O diretor se concentrou especificamente na relação doentia do protagonista com a sua mãe, mas vale lembrar que o assassino real matou pelo menos duas mulheres e foi indiciado pelo assassinato de mais 5 pessoas. Anthony Perkins interpreta o gerente de um hotel de beira de estrada cujo desejo sexual por uma hóspede está diretamente relacionado aos seus impulsos violentos. Ed Gein já ganhou biografias mais diretas como por exemplo o próprio Ed Gein: The Butcher of Plainfield (2007), um telefilme que não chamou muita atenção. O Massacre da Serra Elétrica também teve como base os crimes de Gein.

Dahmer (O serial killer canibal)

Jeremy Renner que depois ficou famoso nos filmes Os Vingadores, Guerra ao Terror, Missão Impossível e O Legado Bourne, teve grande destaque quando viveu o criminoso Jeffrey Dahmer no filme do diretor David Jacobson, chamado apenas de ‘Dahmer’, em 2002. O foco deste serial killer eram apenas jovens gays, todos seduzidos em bares e depois drogados, estuprados e mutilados. Dahmer guardava partes dos corpos dos seus amantes em seu apartamento, no quarto ou mesmo na geladeira, algo que foi fundamental para que ele fosse condenado. Dahmer atacou dezessete homens diferentes no total. Ele morreu na prisão assassinado por um outro detento. Marcou quando declarou de maneira monstruosa: “Eu sou um pervertido, um exibicionista, um masturbador e um assassino”.

Almas Gêmeas (O crime de Parker e Hulme)

Um dos primeiros filmes de destaque de Peter Jackson (O Senhor dos Anéis) foi Almas Gêmeas, longa que foi estrelado por Kate Winslet e é baseado na história de Pauline Parker e Juliet Hulme, melhores amigas de 15 anos de idade que viviam na Nova Zelândia em 1954. As garotas tinham uma amizade íntima e obsessiva e passavam todo o tempo juntas escrevendo histórias e brincando. Pauline ficou ressentida com sua mãe, Honorah, e junto a Juliet levaram Honorah para o parque, onde a espancaram até a morte com uma pedra. As garotas foram libertadas da prisão depois de 5 anos e meio, onde Juliet acabou se mudando para o Reino Unido, onde iria se tornar Anne Perry, famosa escritora de crimes policiais.

Ted Bundy – A Irresistível Face do Mal (O charmoso serial killer)

O famosíssimo psicopata Ted Bundy foi uma das figuras mais fascinantes entre os assassinos nos Estados Unidos, isso por sua história única, onde vemos um estudante de direito, muito popular com as garotas e admirado pelos moradores da cidade, estuprar e assassinar mais de 30 mulheres. De maneira impressionante, Bundy construiu sua própria defesa no tribunal, convencendo parte da mídia que era inocente. O diretor Joe Berlinger escolheu ninguém menos que Zac Efron para entrevistar o assassino famoso. Ted Bundy já foi muito estudado e virou inspiração para dezenas de outras produções, a despeito de longas como ‘Psicopata Americano’ (2000), ou mesmo documentários incríveis, vide o ótimo ‘Conversando com um Serial Killer: Ted Bundy’.

O Silêncio dos Inocentes (O cirurgião canibal)

Sem dúvidas o serial killer mais conhecido de todos os tempos do cinema é o doutor Hannibal Lecter, sobretudo sua passagem no clássico O Silêncio dos Inocentes, suspense que gira em torno de não apenas um psicopata, mas dois assassinos: o canibal Hannibal (Anthony Hopkins), inspirado no cirurgião Alfredo Ballí Treviño, conhecido por sua inteligência e total elegância; e o brutal Buffalo Bill (Ted Levine), personagem fictício que reúne características de Ed Gein e Ted Bundy. A ligação de ambos é Clarice Sterling (Jodie Foster), funcionária do FBI encarregada de tirar de Hannibal alguma pista sobre o paradeiro de Buffalo Bill. A manipulação Clarice e Hannibal fez do filme de Jonathan Demme uma obra-prima e uma das produções mais premiadas sobre o tema de assassinos em série já feitos, principalmente depois que o longa venceu os Oscar de melhor filme, ator, atriz, diretor e roteiro adaptado.

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