Seja como diretor ou como ator, o talentoso artista carioca Luciano Vidigal já construiu uma trajetória sólida no universo cinematográfico. No ano passado, ganhou merecido reconhecimento com seu primeiro longa-metragem como diretor, o belíssimo Kasa Branca. Nascido e criado na favela do Vidigal, no Rio de Janeiro, esteve no CineBH para uma rodada de negócios sobre seu próximo projeto, Sobre Nós, que contará a história de sua irmã. Entre um compromisso e outro, Luciano Vidigal conversou conosco sobre sua carreira, Kasa Branca e esse novo trabalho:
1) Como foi a jornada de divulgação com o Kasa Branca? Você conseguiu fazer tudo que queria em relação ao lançamento do filme?
Luciano Vidigal: “Eu ainda estou trabalhando no lançamento do filme. Ele começou muito bem no Festival do Rio e, depois, percorreu diversos festivais brasileiros e internacionais. Tem alcançado um resultado superpositivo com o público, especialmente pelas redes sociais, onde muitas pessoas comentam e compartilham impressões comigo. Estou muito feliz. Atualmente está disponível no streaming, mas ainda será exibido na Bolívia e na Alemanha. O grande ápice foi a seleção para a shortlist do Oscar. Quando recebi a notícia, percebi que o filme me apresentou, com meu primeiro longa-metragem de ficção, de uma forma extremamente positiva.”

2) Qual o sentimento de receber a indicação ao 31º Prêmio Cinematográfico José María Forqué?
Luciano Vidigal: “Quando saiu a shortlist do Oscar, achei muito interessante, porque fazemos cinema independente, um cinema que também carrega a causa do protagonismo negro e traz a favela como território e cenário de forma mais humana e poética. Estar nessa lista ao lado de grandes filmes – em uma safra maravilhosa, da qual tenho muito orgulho – representa alcançar a relação horizontal que buscamos no cinema independente: estar na mesma prateleira, trazendo diversidade e apresentando outro Brasil. Já a indicação ao Forqué fortalece a minha geração, que vem do cinema independente e busca construir estruturas para contar histórias e ampliar possibilidades.”
3) Como foi para você construir sua carreira no audiovisual até aqui?
Luciano Vidigal: “É muito bom relembrar as dificuldades. Foi um caminho duro, árduo. Sou filho de empregada doméstica e comecei a trabalhar aos 10 anos. Essa relação com o trabalho me acompanha, e às vezes é pesada mesmo. Mas sempre existiu o sonho. Quando escolhi trabalhar com cinema e contar histórias, aquilo se transformou no sonho realizado. A gente não pode parar de sonhar. É importante lembrar dos perrengues, revisitar esse lugar. Continuo sendo um cara do cinema independente, e digo isso com muito orgulho. Passamos por muitas dificuldades impostas pelo sistema político brasileiro, mas agora estamos retomando. Ainda Estou Aqui veio com a força de levar o público a assistir ao drama brasileiro. Dias atrás fui assistir a uma sessão de O Agente Secreto aqui em Belo Horizonte e havia filas e filas para ver o filme — parecia até show de rock! Estou muito orgulhoso desse momento do nosso cinema.”

4) E sobre seus próximos trabalhos? O que pode contar pra gente?
Luciano Vidigal: “Meu próximo projeto se chama Sobre Nós. Escrevi o roteiro junto com a Luciana Bezerra, e já estamos no terceiro tratamento. É uma parceria com a TV Zero. Trata-se de uma história muito pessoal, inspirada na trajetória da minha irmã, que, junto com sua companheira, adotou uma criança com o sonho de construir uma família, mas enfrentou a homofobia por serem um casal lésbico, passando por muitos conflitos nessa tentativa. O filme fala sobre um Brasil pop, jovem, favelado, que usa o afeto como forma de revolução. Estar com esse projeto no CineMundi, no seu primeiro mercado, tem sido maravilhoso. Ter Kasa Branca como cartão de visita está me ajudando muito nessa caminhada.’
