Aos 95 anos, o veterano cineasta Clint Eastwood não pensa em aposentadoria — mas tem uma mensagem clara para a nova geração de cineastas: é hora de arriscar com ideias originais.
Em entrevista ao jornal austríaco Kurier, repercutida pela Reuters, o diretor e ator vencedor de quatro Oscars lamentou o domínio de remakes e franquias no cinema contemporâneo e defendeu a criação de histórias inéditas.
“Tenho saudade dos velhos tempos, quando roteiristas escreviam filmes como ‘Casablanca’ em pequenos bangalôs nos estúdios. Quando todos tinham uma ideia nova”, disse o diretor de ‘Jurado N° 2’, seu último filme. “Vivemos numa era de remakes e franquias. Já filmei continuações três vezes, mas há muito tempo perdi o interesse nisso. Minha filosofia é: faça algo novo ou fique em casa.”
Com mais de meio século de carreira, Eastwood continua trabalhando e afirmou que pretende seguir por “muito tempo ainda”. Questionado sobre como mantém a energia, ele foi direto: “Não há motivo para um homem não melhorar com a idade. E eu tenho muito mais experiência hoje. Claro, há diretores que perdem o jeito com o tempo, mas eu não sou um deles.”
O cineasta também refletiu sobre a importância de se manter em constante evolução. “Como ator, eu ainda tinha contrato fixo com um estúdio, fazia parte do antigo sistema, então era forçado a aprender algo novo a cada ano. É por isso que vou trabalhar enquanto ainda puder aprender alguma coisa — ou até ficar realmente senil.”
Com obras como ‘Os Imperdoáveis’ e ‘Menina de Ouro’ no currículo, ambos vencedores do Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção, Eastwood continua sendo uma voz ativa e crítica no cinema americano — agora, mais uma vez, convocando Hollywood a ousar.
