Como fazer o Live-Action de Naruto dar certo

Naruto vai ter um filme em live-action. A adaptação hollywoodiana do mangá criado por Masashi Kishimoto em 1997 está em processo de produção e tem previsão de estreia para o ano de 2019. A Lionsgate, de filmes como a franquia Jogos Vorazes, será a responsável e já conta com Jon e Erich Hoeber (RED – Aposentados e Perigosos) no roteiro e Michael Gracey (O Rei do Show) na direção.

Tanto o mangá quanto o anime atingiram uma enorme popularidade em dezenas de países ao longo dos anos. No Brasil, a história de Naruto Uzumaki em busca do sonho de se tornar Hokage foi transmitida no SBT e no Cartoon Network.

A adaptação cinematográfica gera uma certa preocupação nos fãs de Naruto, pois Hollywood não tem um bom retrospecto em adaptações de animes. Como exemplo, é possível citar o execrado Dragonball Evolution (2009) e o recente Death Note (2017) da Netflix, ambos decepcionantes e ruins não somente na perspectiva dos fãs das histórias originais quanto para o público geral que nunca havia assistido ou lido sobre.

Naruto tem 700 capítulos no mangá, tornando assim inviável uma adaptação que envolva toda a história do jovem ninja. Ainda assim, é possível fazer um filme no mínimo razoável, desde que aborde os arcos certos e não repetir os erros que outras produções live-action de anime cometeram.

Para começar, um ponto primordial: Não ter vergonha da própria história.

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A cultura ocidental é muito diferente da oriental em diversos aspectos, mas em relação a animes, o público já está acostumado ao padrão de histórias japonesas. Dragon Ball, Death Note, Sailor Moon, Pokemon e tantos outros são muito populares nos Estados Unidos. Não é necessário tentar moldar o tom do filme para alcançar determinado público jovem. O material fonte já é suficiente. A adaptação não precisa ser tão rústica a ponto de modificar conceitos e modus operandi de apresentação da jornada do protagonista. Nada de romance adolescente, linguajar infantil ou todos esses clichês que os produtores julgam necessários para atrair espectadores. Naruto é o sucesso que é por ser de determinado jeito. O ideal é seguir isso.

Sim, tem que ter bandana, chakra, introdução com o Minato selando a Raposa, ninjutsu, genjutsu e taijutsu e tudo ser ambientado em Konoha.

Por ser um filme, sua duração é extremamente curta se comparado com o material fonte, então é preciso limitar até onde vai o roteiro. Uma opção satisfatória é abordar a fase clássica, com os gennins ainda pequenos, até o Exame Chunnin. Durante este processo, alguns pontos inevitavelmente serão cortados ou encurtados, mas é preciso estabelecer pelo menos quem será o vilão do filme e o mais marcante do início de Naruto é unânime: Orochimaru.

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O icônico antagonista  é o principal nome para representar o mal no filme. Sua personalidade e aparêncha chamam atenção de diversos modos e criam até uma simpatia por parte de quem assiste, mesmo ele indo contra os protagonistas. Por falar em aparência, um tópico de extrema importância é o visual dos personagens. Tanto em adaptações de mangás quanto de quadrinhos de super-heróis, em muitas vezes acham necessário fazer mudanças na imagem do elenco, mesmo já estabelecido por anos e de conhecimento do publico geral. Há uma certa vergonha do ridículo.

Nos últimos anos, em filmes de super-heróis, tanto da DC quanto da Marvel, isto vem mudando. Porém, nas adaptações de mangás/animes, ainda persiste. O que faz pouco sentido, visto que já foi provado que, sim, dá para fazer atores reais utilizarem o figurino do anime e ficar bom. O próprio Naruto é um exemplo prático disso, visto que no Japão houve uma apresentação de teatro e o figurino ficou impecável, fiel à história e muito bonito.

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Em relação aos efeitos, em Guerra Infinita vimos que é possível. Fazendo um paralelo, o Doutor Estranho fez algo que remete muito ao kage bushin no jutsu, o multiclone das sombras, uma das técnicas mais características do personagem principal.  Não se espera efeitos visuais de qualidade tão ímpar quanto o filme da Marvel,  mas ainda assim dá para reproduzir alguns dos poderes, os nijutsus.

Outro ponto marcante no anime e esperado no filme é a alta qualidade da trilha sonora. Naruto tem músicas muito conhecidas e marcantes, sejam cantadas ou apenas instrumentais.  As diversas canções refletem bem o tom da cena exibida no momento e um trabalho na parte auditiva para a adaptação cinematográfica é algo a ser explorado. Para isto, nada de rap, hip-hop ou country, ritmos típicos americanos e sim algo mais oriental, que faz sucesso no mundo todo e é querido por muitos.

O auxílio de Kishimoto é primordial para que o filme dê certo. Sem o autor da obra, as liberdades criativas podem prejudicar muito o filme e então ter um resultado decepcionante como Dragonball Evolution. Ainda que não se espere uma produção digna de Oscar, um filme de Naruto pode ser bom o suficiente para divertir quem assiste, desde que seja trabalhado do jeito certo.

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O filme de Naruto tem potencial para ser superior a outras produções do gênero como Death Note, Dragonball e Full Metal Alchemist. Basta seguir minimamente a linha da história original e não achar que o material fonte não funciona em telas de cinema. Um respeito à obra já o colocará à frente de outros e assim no futuro outras produções do tipo possam ter início.

Naruto teve mais de 700 episódios no anime e cerca de 200 milhões de mangás vendidos apenas no Japão. O sucesso é absoluto. O filme ainda está em processo de pré-produção e a tendência é que seja finalizado e exibido no próximo ano.

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Renato Marafon
Renato Marafonhttps://cinepop.com.br/
Editor-chefe e criador do site CinePOP, apaixonado por cinema e filmes.