O filme Tron foi lançado em 1982 e até hoje é considerado uma obra marcante da ficção científica. Na trama, Jeff Bridges interpreta Kevin Flynn, um desenvolvedor de jogos que é transportado para dentro do sistema central de um computador. Lá, precisa interagir e enfrentar programas em batalhas digitais para tentar escapar.
Entre os elementos mais icônicos do filme original estão competições que lembram esportes, mas em que as apostas iam muito além da diversão. Flynn participava de jogos quase gladiatórios, nos quais a consequência era ser “desintegrado” e eliminado do sistema. Nesse cenário, surgiram cenas memoráveis como as batalhas de Light Cycles e de Disc Wars, que se tornaram momentos de ação decisivos da história.
No esporte real, os atletas não estão lutando pela própria sobrevivência, mas isso não impede milhões de fãs de grudarem na tela, fazendo uma aposta e acompanhando ansiosamente o resultado. Normalmente, o processo é simples: alguém percebe que um site de apostas esportivas é legal, faz um depósito e escolhe um jogo importante para arriscar um palpite. Mas e se imaginarmos que as competições de alto risco do filme Tron, adaptadas para o mundo real, chamassem a atenção das casas de apostas e desencadeassem uma verdadeira onda de apostas?
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Adaptando os Light Cycles
Em Tron, os Light Cycles eram veículos semelhantes a motos que corriam em uma grade digital. Cada moto deixava atrás de si uma barreira sólida e mortal, e o objetivo era fazer com que os adversários colidissem com ela. Para quem já jogou o clássico Snake, a lógica é parecida — e seria quase impossível reproduzir isso no mundo real.
Uma forma de adaptar os Light Cycles seria por meio de uma plataforma de realidade virtual, já que qualquer esporte que envolvesse veículos em alta velocidade realmente colidindo seria extremamente perigoso. Em vez das barreiras físicas deixadas no filme, elas poderiam ser recriadas em realidade aumentada, enquanto os veículos seriam substituídos por drones.
O piloto usaria um headset de VR para controlar o drone dentro do espaço de jogo, tentando evitar as barreiras virtuais deixadas pelos competidores. O sistema poderia funcionar por pontos: cada piloto começaria com uma pontuação inicial, e perderia pontos sempre que atravessasse a barreira de um oponente. No fim, quem permanecesse ativo seria o vencedor.
Adaptando o Disc Wars
Em Tron: Legacy, lançado em 2010, os jogadores usavam discos luminosos semelhantes a frisbees, uma versão do jogo do filme original. Nele, os competidores, em plataformas circulares, arremessavam seus discos de identidade para quebrar os anéis da plataforma do oponente, fazendo-o cair. Atingir o adversário diretamente com o disco também resultava em eliminação.
No Disc Wars, os participantes usavam os frisbees para tentar eliminar o adversário, acertando um sensor no traje do oponente com um golpe direto. Uma adaptação para o mundo real poderia acontecer em um ambiente parecido com laser tag, no escuro, com obstáculos no campo de jogo e os jogadores tentando atingir uns aos outros com os frisbees, usando agilidade e precisão no arremesso.
Cada competidor teria apenas um número limitado de frisbees, já que, ao contrário do que acontecia no filme, eles não iriam ricochetear dinamicamente nas paredes e tetos para serem pegos de volta.
Poderiam ser alvo de apostas?
Não há razão para que mercados de apostas não possam ser criados em versões reais dos jogos de Tron. Para que funcionassem como esportes viáveis, seria necessário ter resultados mensuráveis, desfechos claros e, claro, aquele elemento indispensável do esporte: a imprevisibilidade.
Mercados básicos poderiam ser implementados, como apostar no vencedor da partida, tanto em Light Cycles quanto em Disc Wars. Também poderiam surgir opções variadas, como quem consegue a primeira “eliminação” nos Light Cycles (um mercado muito popular em apostas de eSports como Counter-Strike: GO), ou qual parte do corpo (cabeça, tronco, braço, perna, costas) é atingida para garantir o ponto vencedor no Disc Wars.
Sempre que há pontuação em disputa, é possível criar mercados de handicap — por exemplo, um jogador de Light Cycle cobrindo uma linha de -2 pontos contra o adversário. Até mesmo palpites de placar correto poderiam ser explorados. Se as partidas fossem disputadas em melhor de três ou cinco sets, como no tênis, isso abriria ainda mais possibilidades de apostas.
No fim, a quantidade de mercados de apostas em esportes inspirados em Tron dependeria da popularidade. O futebol, por exemplo, recebe muito mais cobertura e variedade de mercados do que esportes como xadrez ou esqui, justamente por contar com uma base de fãs gigantesca em todo o mundo.
O legado de Tron
Um dos motivos pelos quais Tron causou tanta impressão quando foi lançado foi o uso intenso de computação gráfica. Na época, era algo realmente inédito, já que o diretor Steven Lisberger levou sua visão para as telas de cinema de uma forma nunca antes vista. Depois do lançamento de Tron: Legacy, em 2010, a tão aguardada terceira produção da série, Tron: Ares, tem estreia prevista para outubro de 2025.
