Crítica | 10 Segundos para Vencer – Filmaço de Boxe e relacionamento de pai e filho

Crítica | 10 Segundos para Vencer – Filmaço de Boxe e relacionamento de pai e filho

Nota:

Éder, um Lutador

Não é comum vermos dentro da indústria do cinema muitos papeis bons oferecidos a atores já em sua terceira idade. Ao menos não os mirados ao grande público. E o motivo para isso se deve justamente por causa da faixa etária da maior parcela pagante dos espectadores, em sua maioria formado por jovens. Naturalmente, as histórias que criam mais identificação com este público são as protagonizadas por jovens como eles.

De tempos em tempos, no entanto, nossa esperança numa inclusão maior é renovada com oportunidades como a que podemos encontrar aqui em 10 Segundos para Vencer: de um grande papel para um ator veterano.

A biografia do pugilista bicampeão do mundo Éder Jofre é dirigida por José Alvarenga Jr. – mais acostumados a fazer comédias para o cinema (vide Os Normais: O Filme e Divã) -, e traz mais um desempenho acima da média de Daniel de Oliveira como o protagonista. Mas é o veterano Osmar Prado quem rouba grande parte do show na pele de Kid Jofre, o pai do boxeador. Não é à toa que o experiente artista foi laureado com o prêmio de melhor ator no último Festival de Gramado.



Um dos gêneros mais abraçados pelos brasileiros é a biografia, ou drama biográfico. Em geral podendo ser acusados de didatismo – por relatar passo a passo de forma esquemática a trajetória rumo ao sucesso de seu homenageado -, existe o caso dos que sobressaem, quebrando o molde devido aos inúmeros quesitos variáveis de excelência. É o caso deste longa.

Em seu roteiro, escrito por Thomas Stavros (1 Contra Todos), Patrícia Andrade (Gonzaga: De Pai para Filho), José Guertzenstein (Polícia Federal: A Leia é para Todos) e pelo próprio Alvarenga, o filme cria uma eficiente, embora muito conhecida, história de superação. Bem construída e sem espaço para desvios ou escorregadas (apesar de uma ou outra linha de diálogo que talvez não desça tão redondo aos mais conservadores e problematizadores – mas condizente com a época retratada).

10 Segundos para Vencer sai ganhador na contagem de pontos, em especial por sua parte técnica primorosa e atuações empenhadas. A direção de Alvarenga é encorpada, cria um cinema brasileiro prazeroso de assistir, que não fica devendo nada às grandes produções estrangeiras. A recriação da época é um atrativo a mais – além da estonteante fotografia, uma montagem dinâmica (sem rodeios ou floreios autoindulgentes) e uma arquitetura de cena impressionante nos momentos das lutas. O que não podia faltar, já que a obra está envolta no boxe. Tais momentos são muito bem trabalhados e impressionam.

Tão empolgante quanto o esporte nos ringues são os embates dramáticos entre Osmar Prado e Daniel de Oliveira. O segundo, recobra os holofotes com um grande ano. Depois do elogiadíssimo Aos Teus Olhos, Oliveira exibe a boa forma física e cria um Éder Jofre como a imagem do homem determinado. Já Prado, com uma carreira de seis décadas a serviço da arte, encontra em Kid Jofre um dos grandes papeis de seu currículo – feito desta forma devido a seu próprio esforço. O ator nunca esteve melhor do que em seu retrato do severo treinador – e isso não é pouca coisa ao olharmos a longa estrada do artista, o que só enaltece ainda mais sua performance.

10 Segundos para Vencer ainda reserva espaço para discussões sobre a violência do esporte e seu lugar dentro de uma sociedade cada vez mais politicamente correta. O resultado, acima de qualquer outra coisa, se mostra uma carta de amor de filho para pai, embalada e amarrada num belo invólucro de cinema entretenimento nacional. E o melhor, do tipo que tem muito a dizer.





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