Quando James Wan dirigiu o primeiro ‘Invocação do Mal’ em 2013, ele criou uma atmosfera tão tensa e assustadora que era visível o nascimento de uma franquia baseada nas várias histórias dos investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren.
A sequência saiu em 2016, e conseguiu ser ainda mais aterrorizante que o original, desenrolando-se em vários spin-offs que incluíram ‘Annabelle’ e ‘A Freira’. Entre altos e baixos, a franquia foi ladeira abaixo depois do lançamento de ‘Annabelle 2 – A Origem do Mal‘, o último filme realmente assustador da saga.
O diretor Michael Chaves, que já havia dirigido os medianos ‘A Maldição da Chorona‘ e ‘Invocação do Mal 3‘, retorna para ‘Invocação do Mal 4: O Último Ritual‘ – e mais uma vez entrega um filme opaco e pouco inspirado.

Chaves consegue construir um clima de tensão, mas nunca consegue emergir no auge do momento e criar um susto ou um momento que realmente aterroriza. Ao contrário de Wan, que usava poucos elementos para realmente impactar a audiência das maneiras mais perversas, Chaves usa de um leque de elementos para chegar no ápice do momento de tensão, mas nunca efetivamente consegue entregar momentos realmente assustadores.
O filme funciona mais como um romance e um adeus a Patrick Wilson e Vera Farmiga, que mais uma vez estão espetaculares em cena, mas não tem um roteiro à seus níveis para realmente entregar a emoção e o terror que o desfecho pedia. O tempo todo o filme parece encaminhar para criar um momento obscuro que nunca acontece, talvez por trazer entidades pouco elaboradas e explicadas que ainda sofrem com a criação feita em CGI ao invés de efeitos práticos.

Vendido como o “caso que encerrou tudo”, ‘Invocação do Mal 4: O Último Ritual‘ não tem a força e nem a destreza de terminar a franquia com uma explosão, e sim com um sopro. Aqui, os Warren enfrentam mais um caso aterrorizante envolvendo entidades misteriosas que desafiam sua experiência. Ed e Lorraine se veem obrigados a encarar seus maiores medos, colocando suas vidas em risco para travar uma batalha final contra forças malignas.Pouco é explicado sobre o poder de tais entidades, o que tira muito do impacto que elas causam na história.
A família que é assombrada pela entidades é mal desenvolvida e desaparece no meio da trama, não criando a sensação de urgência que o gênero pede, e serve apenas como um meio para mostrar a força dos Warrens em meio às aberrações.
Ben Hardy (‘X-Men: Apocalipse’) e Mia Tomlinson (‘The Beast Must Die’) estão ótimos em cena, mas seus personagens também não possuem um desenvolvimento satisfatório que realmente faça render uma conecção emocional.
Entre altos e baixos, a franquia chega ao final com o seu filme menos assustador, que parece nunca alcançar aquela nota prometida. Os Warrens mereciam um final mais impactante nas telonas após tantas desventuras aterrorizantes. Por fim, o desfecho realmente vale pela dedicação dos astros principais em representar personagens tão complexos em situações tão macabras.
