terça-feira, fevereiro 20, 2024

Crítica 2 | ‘Shazam! Fúria dos Deuses’ – Sequência “Sessão da Tarde” é ainda MELHOR que o Original

A essa altura do campeonato, ‘Shazam’, assim como a maioria dos outros super-heróis do pedaço, dispensa apresentações. O personagem, lançado publicamente na indústria cinematográfica em 2019 com o filme homônimo, imediatamente fez sucesso com a garotada mais jovem, principalmente porque a história girava em torno de um grupo de adolescentes órfãos que ganhavam superpoderes e se tornavam adultos em consequência disso, mesmo ainda se comportando como crianças. Ou seja, prato cheio pro sucesso, né? Por isso, mesmo aqueles não não acompanharam os quadrinhos com as histórias do personagem ou dos outros heróis do universo da DC passaram a se interessar por Shazam e suas aventuras, de modo que os quatro anos de espera pelo novo filme se tornaram longos demais – mas a espera finalmente termina essa semana, com a estreia nos cinemas da aventuraShazam! Fúria dos Deuses’.

Depois de compartilhar os poderes com seus irmãos adotivos, Billy Batson (Asher Angel) começa a perceber que a vida de super-herói não é fácil, e que o povo da Filadélfia não está curtindo tanto assim o trabalho que o grupo está fazendo. Billy tenta ao máximo manter a família unida, mas Freddy (Jack Dylan Grazer), Pedro (Jovan Armand), Mary (Grace Caroline Currey), Darla (Faithe Herman) e Eugene (Ian Chen) parecem estar interessados em tocar as próprias vidas. Porém, quando uma ameaça divina acomete a cidade, Shazam (Zachary Levi) e seus irmãos colocarão à prova os valores familiares que compartilharam durante anos, e deverão decidir se se mantêm unidos ou tomam seus próprios rumos.

Com duas horas e dez de duração e duas cenas pós-créditos, é bem verdade que ‘Shazam! Fúria dos Deuses’ poderia ser bem uns vinte minutos mais curtos, mas esse tempo a mais não interfere na recepção do filme de David F. Sandberg: ao contrário, o roteiro de Henry Gayden e Chris Morgan preenche bem o enredo com todo tipo de brincadeirinha recheada de sarcasmo que embalam o espectador ao longo do trajeto. Inteligentemente, a história acompanhou o crescimento etário de seu público-alvo (quatro anos, quando se é adolescente, é muita coisa!), de modo que tanto as piadas quanto as situações em si ganham um tom levemente mais adulto – o que é um bem-vindo alívio para a galera no cinema com mais de vinte anos.

Além de entregar exatamente o que o público nerd esperava e melhorar o próprio conteúdo, uma determinada estratégia conduziu o longa e chamou bastante atenção: a consolidação do universo da Warner Bros demonstrada  explicitamente em ‘Shazam! Fúria dos Deuses’. Isso pode ser visto (aqui seguem pequenos spoilers da trama), por exemplo, quando determinado personagem mergulha nos céus para pegar um objeto dourado cilíndrico, com outras pessoas voando em seu encalço – evidente referência ao pomo de ouro de Harry Potter; também nas salas com portas voadoras e a biblioteca mágica com textos que aparecem magicamente no papel – em referência também ao universo do bruxinho Potter; logo na primeira cena, Freddy usa uma camisa da Árvore dos Homens, do ‘Senhor dos Anéis’ – cenas depois, Shazam faz um trocadilho com o nome do mago Saruman, além de a entrada da casa das deusas ter uma réplica igualzinha das estátuas da entrada de ‘As Duas Torres’, no universo de LOTR; sem contar o dragão de ‘House of the Dragon‘ que foi contratado para trabalhar aqui nesse filme enquanto a segunda temporada não vem; nem mesmo o recente ‘The Last of Us’ escapa, com as cenas do arco final do filme com efeitos visuais e cenografia beeeem similares aos cordyceps; sem mencionar os muitos toques de terror a la ‘IT: A Coisa’. Percebam: todos esses títulos são de propriedade da Warner, para além das auto referências aos personagens da DC

O que isso significa, na prática, é que ‘Shazam! Fúria dos Deuses’ é um produto comercialmente perfeito: tem uma história envolvente tanto para a galera que cresceu quanto para quem está chegando agora; dosa bem o humor com a evolução da trama, sem abusar da paciência do espectador; acompanha o interesse e as queixas de seu público-alvo, inclusive fazendo autocrítica; consegue inserir magistralmente dois patrocinadores com cenas que valorizam suas marcas (Gatorade e Skittles), o que promove a venda e o interesse nos produtos em questão; consegue dialogar com as outras partes do universo criado pela DC sem soar como forçação de barra; e, mais que tudo isso, consegue vender os outros títulos de sucesso da produtora, gerando conexões que atiçam a curiosidade do espectador em ir atrás para (também) consumir esses produtos.

Shazam! Fúria dos Deuses’ é uma aula de produção e de marketing, demonstrando com requintes como funciona esse negócio de universo expandido e compartilhado dentro de uma grande produtora. E, além disso, entrega um ótimo filme para seu público fiel. Realmente, um belo exemplo de case de sucesso de Hollywood.

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