Crítica | 2ª temporada de ‘Percy Jackson e os Olimpianos’ entrega um frenético e divertido terceiro episódio

Cuidado: spoilers à frente.

Percy Jackson e os Olimpianos’ retornou em boa forma para uma antecipada 2ª temporada, tendo exibido os dois primeiros episódios do novo ciclo na semana passada e reacendendo nosso interesse pelo expansivo panteão mitológico que inspirou os escritos de Rick Riordan. E, após breves reapresentações, o tom da nova iteração foi dado – mostrando que os perigos cresceram ainda mais e que Percy (Walker Scobell) está navegando rumo a uma mortal missão para impedir que o poderoso Cronos consiga alcançar seus malignos e destrutivos objetivos.

Depois de enfrentarem a fúria de Tântalo (Timothy Simons), que assumiu o cargo de diretor de atividades do Acampamento Meio-Sangue, Percy, Annebeth (Leah Sava Jeffries) e Tyson (Daniel Diemer) fogem em um bote enfeitiçado por Hermes (Lin-Manuel Miranda) para além dos limites do refúgio de semideuses, singrando os mares até embarcarem no luxuoso cruzeiro conhecido como Princesa Andrômeda – uma espécie de santuário em alto-mar para criaturas mitológicas. Lá, Percy e Annabeth conversam sobre as atribulações que enfrentaram durante a corrida de bigas, com a jovem filha de Atena revelando que não podia deixá-lo ir atrás do Velocino de Ouro em virtude de um perigoso aviso. Aceitando a atitude da melhor amiga, Percy se vê em outra enrascada quando descobre que Luke (Charlie Bushnell) e seus aliados estão a bordo do navio, enfrentando-os em uma breve e instigante sequência até descobrir que ele pode ser responsável pelo futuro ou pela destruição do Olimpo.

Em outro espectro, nosso trio de heróis é seguido pela impetuosa força de Clarisse (Dior Goodjohn), que é selecionada por Tântalo após a vitória na corrida para reaver o Velocino de Ouro, curar Thalia (filha de Zeus que foi transformada em uma árvore protetora do Acampamento) e garantir que os semideuses não pereçam frente ao crescente poder de Cronos. Auxiliada pelo pai, Ares (Adam Copeland), Clarisse é presenteada com um maciço navio e uma tripulação de mortos-vivos que têm uma segunda chance de morrer com honra em uma fatal missão – até perceber que foi enganada por Tântalo com as coordenadas erradas da Ilha de Polifemo e ceder a uma necessária ajuda por parte de Percy, Annabeth e Tyson.

Jason Ensler é selecionado como diretor do terceiro capítulo da nova iteração, intitulado “We Board the Princess Andromeda”, e segue as fórmulas exploradas na semana anterior, mantendo o nível aventuresco e despreocupado que acompanha os heróis em sua complexa jornada. Aqui, é visível como Ensler cria uma dualidade entre o luxuoso cruzeiro em que Percy e seus amigos se encontram com uma atmosfera industrial e pesada que esconde uma artimanha potencialmente problemática e que abre espaço para ainda mais perigos. Já as cenas destinadas a Clarisse, há uma dosagem certeira entre drama, aventura e comédia que desponta das telas e que traz ritmo para a narrativa.

Após dois episódios guiados por uma ambientação mais restrita ao Acampamento e que serviu como organização das múltiplas subtramas a serem esquadrinhadas pela temporada, Tamara Becher-Wilkinson, assinando o roteiro, se vê com liberdade o suficiente para trazer um pouco mais de movimento à história, alastrando o cosmos de Riordan para além das páginas do romance original e trazendo uma certa originalidade que denota a complexidade dos personagens – com destaque ao dilema que Annabeth enfrenta em salvar Percy e o relacionamento que forjou com o semideus, ou garantir que o destino do mundo não caia nas mãos erradas.

Becher-Wilkinson também acerta ao recuperar as primeiras menções d’A Grande Profecia, trazendo detalhes imprescindíveis para que as reviravoltas ganhem momento e nos deixem ansiosos para os próximos acontecimentos – escorregando aqui e ali com algumas “barrigas” que poderiam facilmente ter sido podadas em um tratamento mais cauteloso. De qualquer forma, o comprometimento do elenco, que agora é adornado com os merecidos holofotes a Goodjohn, é forte o bastante para ofuscar pontuais deslizes e reiterar o caráter honesto de uma das produções mais populares do Disney+.

O terceiro episódio de Percy Jackson e os Olimpianos’ mantém-se firme na preparação de terreno para o temível Mar de Monstros que inspirou a narrativa principal da temporada, apostando em um ritmo mais frenético e em incursões mais maduras para os personagens. Prenunciando um dos momentos-chave do livro de Riordan, o capítulo desta semana é um lembrete de que, às vezes, movimentos ousados valem a pena – e refletem a confiança e a fidelidade que os fãs possuem no time criativo da adaptação.

Lembrando que o próximo episódio vai ao ar no dia 24 de dezembro.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.