Cuidado: spoilers à frente.
Um dos elementos que mais se destacaram na 2ª temporada de ‘Percy Jackson e os Olimpianos’ é o fato do time de roteiristas, ao lado do criador e romancista Rick Riordan, ter aproveitado o crescimento dos personagens para colocá-los em arcos mais amadurecidos e dotados de uma consciência moral que, muitas vezes, é colocada em xeque. Apenas nos primeiros episódios, nosso herói titular, eternizado por Walker Scobell, se vê em um dilema ao descobrir ser parte da Grande Profecia – e, potencialmente, representar a salvação ou a queda do Olimpo e dos deuses gregos.
Lidando com uma amizade que navega em uma corda bamba com Annabeth Chase (Leah Sava Jeffries), preocupado em salvar o melhor amigo, Grover Underwood (Aryan Simhadri), em detrimento de uma artimanha muito maior que ele próprio, e forçado, a princípio, a firmar uma vulnerável parceria com a impiedosa Clarisse La Rue (Dior Goodjohn), Percy é engolfado em um coming-of-age mandatório que torna cada um de seus desafios mais perigoso que o outro. Afinal, como visto no capítulo da semana passada, o jovem semideus foi forçado a abrir mão do Velocino de Ouro – um poderoso objeto capaz de curar Thalia e salvar o Acampamento Meio-Sangue das forças malignas e destrutivas de Cronos – para salvar Annabeth, entregando-o de bandeja a Luke Castellan (Charlie Bushnell). Agora, os riscos estão mais altos do que nunca à medida que nos aproximamos de um ambicioso e antecipado season finale.
No sétimo e penúltimo capítulo da temporada, intitulado “I Go Down with the Ship”, Percy, Grover, Clarisse e Tyson (Daniel Diemer) são resgatados por hipocampos da ilha de Polifemo, partindo em direção ao cruzeiro de semideuses e criaturas partidárias de Cronos, onde deverão não apenas reaver o Velocino, mas salvar Annabeth (que foi levada por Luke em uma tentativa desesperada de impedir que ela morresse). Logo de cara, o grupo se divide em três núcleos, denotando a contínua rixa que Percy e Clarisse possuem desde que se conheceram no Acampamento. O filho de Poseidon resolve resgatar Annabeth, enquanto a filha de Ares, contrariando os argumentos de Percy, vai em busca do objeto mágico; Grover e Tyson, por sua vez, bolam um plano de fuga que envolve Sally (Virginia Kull), mãe de Percy, para o resgate.
Eventualmente, todos os personagens são colocados em seus respectivos dilemas morais, mudando a ordem do jogo e colocando Clarisse em uma missão secundária para resgatar Annabeth quando descobre que Cronos ordenou Alison (Beatrice Kitsos), filha de Apolo, a matar a traidora. Recusando-se a deixar que isso aconteça, Clarisse enfrenta um grupo de cinco dissidentes, reúne-se com a filha de Atena e parte para encontrar Percy. O herói, por sua vez, utiliza o boné de invisibilidade de Annabeth para entrar nos aposentos de Luke e retirar o Velocino de cima do sarcófago em que Cronos repousa, mesmo sendo tentado pelo poderoso Titã a conhecer e a entender a Grande Profecia. Eventualmente, Luke e Percy se envolvem em uma breve luta antes de sair vitorioso e entregar o objeto à Clarisse – que parte para o Acampamento com a ajuda do pégaso Blackjack.
Como podemos ver, o episódio desta semana é o que mais se afasta do caráter epopeico da trama, mergulhando em uma atmosfera mais interpessoal e conflituosa: temos Percy percebendo que erros cometidos podem ser reavaliados, mesmo em relação a uma improvável aliada que insurge na figura de Clarisse, enquanto esta, açoitada por uma Profecia que culminará em sua ruína, se mostra vulnerável o suficiente para garantir o apoio e a proteção de seus amigos. Luke, por sua vez, começa a questionar se escolheu o lado certo ao descobrir que Cronos mentiu sobre a possibilidade de Thalia ser salva pelo Velocino, além de mostrar-se capaz de enxergar a razão ao salvar Annabeth.
Ainda que o capítulo seja rápido demais para ser explorado como deveria, Tamara Becher-Wilkinson faz o que pode para garantir uma sólida narrativa que nos leva para a última semana da temporada, permitindo que os atores singrem pelas complexidades de um universo exuberante e prestes a ruir em guerra. O diretor Jason Ensler, por sua vez, se mostra mais ousado ao reafirmar o mote principal dos protagonistas e coadjuvante – como, por exemplo, quando coloca Luke isolado nos enquadramentos, indicando sua inescapável solidão e o fato de ter perdido amigos de longa data em prol de um plano em que acredita cegamente que funcionará. E, a efeito de exploração, Percy é envolto em um mesmo tipo de frame quando se recorda da agourenta visão que teve sobre o retorno de Thalia e a queda do Acampamento.
O sétimo e penúltimo episódio da 2ª temporada de ‘Percy Jackson e os Olimpianos’ peca pelo modo como certas tramas se desenrolam e se concluem, mas encontra sucesso ao apostar em um drama pessoal e intimista que serve de combustível para a iminente batalha final do ciclo. Agora, só podemos esperar ansiosamente para o encerramento da iteração – que, como já sabemos, vem acompanhado de altas expectativas.
Lembrando que o último episódio vai ao ar no dia 21 de janeiro.



