Crítica 4 | Pânico 7 – Sequência PREVISÍVEL segue as regras em vez de quebrá-las







Em 1996, ‘Panico‘ redefiniu as regras do gênero. Com um texto inteligente e uma metalinguagem afiada, o longa de Wes Craven rapidamente se tornou um clássico e abriu as portas para uma franquia de sucesso. Agora, três décadas depois, o sétimo capítulo promete um grande retorno à fórmula, mas o resultado é um filme irregular com crise de identidade que segue as regras em vez de quebrá-las.

Desta vez, Sidney Prescott (Neve Campbell) retorna ao foco da ação após sua filha, Tatum (Isabel May), se tornar o alvo de um novo Ghostface. Ela conta com a ajuda da Gale Weathers (Courteney Cox) para desmascarar essa nova ameaça enquanto literalmente precisa encarar o seu passado, que ela pensava estar morto e enterrado.

Os problemas desta sequência se tornam aparentes desde a abertura. Pouco inventiva, a cena parece querer criticar a nostalgia ao mesmo tempo em que se apoia nela. Além de não surpreender e entregar o mínimo denominador comum que se pode esperar da franquia, a cena falha em se conectar à trama geral e em causar qualquer impacto.

O maior trunfo deste novo filme é a presença da Neve Campbell, que traz um retorno competente e seguro como a icônica sobrevivente Sidney Prescott. A relação entre mãe e filha é a alma e o coração desta sequência, e, neste aspecto, Isabel May se mostra uma figura promissora para o futuro da saga.



Infelizmente, todos os outros personagens – veteranos e novatos – apenas gravitam em torno da dupla principal, sem propósito. Mesmo com a ausência inexplicável (e questionável) de certas sobreviventes, o elenco veterano ainda é numeroso, e o roteiro faz um péssimo trabalho ao tentar integrá-lo à narrativa. Gale tem uma das introduções mais espetaculares da saga, e há vestígios de uma tentativa de desenvolvimento, mas até mesmo ela é abandonada sem cerimônia à medida que o roteiro se apressa rumo a um desastroso terceiro ato.

O uso de Inteligência Artificial deveria ter sido o grande diferencial deste novo capítulo, mas, apesar do potencial e da temática relevante, a abordagem medíocre desafia não apenas a inteligência da Sidney, como também a nossa. O retorno de alguns rostos conhecidos no terceiro ato parece deslocado em vez de nostálgico – como uma ideia que os roteiristas começaram a desenvolver, perderam o interesse e esqueceram de remover da edição final.

E o terceiro ato é um show de horrores à parte; rápido, anclimático e fora de tom, indiscutivelmente a pior conclusão e motivação da franquia. É tão ruim que ofusca os dois primeiros atos que, apesar de não apresentarem nada inovador, têm seus momentos e entregam o que você espera de um filme da saga. Apesar dos pontos negativos, ‘Pânico 7‘ não é a bomba que muitos estão apontando. É um filme decente, mas que sofre com um roteiro desconexo, incapaz de explorar o potencial de suas próprias ideias.

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Nefferson Taveira
Formado em Letras - Português/Literaturas pela UFRJ, apaixonado por cinema e obcecado por filmes de terror.

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