Crítica | ‘53 Domingos’ – Filme na NETFLIX é um deleite para quem gosta de refletir sobre dinâmicas familiares



Quebrando, de forma surpreendente, a quarta parede logo de cara – um recurso narrativo muito bem aplicado ao que acompanhamos ao longo de 78 minutos de ótimos diálogos, recheados com porções generosas de ironias -, o longa-metragem espanhol 53 Domingos, que entrou sem muita divulgação no catálogo da Netflix, é um deleite para quem gosta de refletir sobre dinâmicas familiares.

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Escrito e dirigido pelo cineasta Cesc Gay (diretor dos maravilhosos Truman e Sentimental), e baseado na peça de sua própria autoria, 53 diumenges, o projeto conta com um espetacular elenco para apresentar ao público os encontros e desencontros de três irmãos completamente diferentes, que tem um importante assunto em comum para se chegar em um consenso.

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Julián (Javier Cámara), Natalia (Carmen Machi) e Victor (Javier Gutiérrez) são três irmãos, com pouca convivência recente, que precisam se reunir para discutir sobre os próximos passos em relação à situação do pai, que mora sozinho e já está na casa dos 90 anos. Julián é o anfitrião e conta com a ajuda da esposa, a enfermeira Carol (Alexandra Jiménez), para organizar um encontro na casa deles. No entanto, com as desavenças do passado vindo à tona logo que começam a conversar, o assunto principal acaba girando em torno de um romance escrito por um deles.

Um ator, uma professora e um homem que vive na aba do sogro. Esses três ótimos personagens destrincham, de forma divertida, uma única camada que envolve os eternos laços familiares e também as diferentes formas de enxergar um situação simples. O contexto é revelado por pequenas mágoas, algo que já dá a amplitude do impacto emocional guardado por anos. A identificação com o público é rápida: parece que estamos naquela sala de jantar, acompanhando de pertinho os desenrolares hilários.

Quem aparece como narradora – quebrando a quarta parede em muitos momentos – é a esposa de Julián, Carol. Essa personagem, com seu olhar externo aos conflitos, é uma adição fundamental à dinâmica que o roteiro propõe, funcionando muitas vezes como um importante contraponto. Esse recurso narrativo, que existe bastante no teatro, é aplicado de maneira certeira na narrativa, convidando o público para acompanhar cada vez mais de perto os acontecimentos.

53 Domingos é uma comédia leve, agradável e de narrativa ágil que precisa apenas de um cenário e ótimos artistas em cena para transformar uma simples história – comum em muitos cotidianos – sobre desavenças familiares virar algo contagiante e de riso fácil. Impressiona como a trama nos envolve rapidamente, fruto, entre outras qualidades, de um carismático recheio irônico, uma boa direção, excelentes atuações e um texto impecável.

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Raphael Camacho Crítico de Cinema
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.

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Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.