Cuidado: spoilers à frente.
‘Only Murders in the Building’ não é considerada uma das melhores séries da atualidade por qualquer motivo – e a 5ª temporada reiterou sua incrível habilidade de reinvenção. Apostando em um mergulho ainda mais profundo no Edifício Arconia, além de explorar o obscuro mundo dos magnatas bilionários e das máfias nova-iorquinas, o ciclo trouxe uma nova identidade para acompanhar nossos três amados detetives, Charles (Steve Martin), Oliver (Martin Short) e Mabel (Selena Gomez), em mais um perigoso e intrincado caso de assassinato.
Com o lançamento do último episódio nesta terça-feira, a temporada se encerra da melhor maneira possível e já abre espaço para a próxima narrativa, que levará os protagonistas para uma aventura na capital inglesa e que, ao que tudo indica, trará de volta personagens veteranos dessa incrível saga para nos convidar a uma jornada transoceânica. Intitulado “The House Always…”, o capítulo amarra as pontas soltas e, mesmo tropeçando em alguns momentos com frenéticas pulsões que poderiam ter sido mais bem dosadas, Charles, Oliver e Mabel enfrentam mais um amadurecimento na relação que têm entre si à medida que dão um adeus definitivo ao falecido porteiro Lester (Teddy Coluca), tema central da investigação do trio.
Tendo início logo após os eventos do capítulo anterior, em que Howard (Michael Cyril Creighton) trouxe uma última pista para que o culpado pela morte de Lester e de Nicky (Bobby Cannavale) fosse encontrado, o trio de detetives confronta a família Caccimelio e descobre o dedo que encontraram no começo da temporada pertence ao amante secreto de Sofia (Téa Leoni). Reunindo os infames bilionários na sala secreta do Arconia e tentando esclarecer o mistério antes que Camilla (Renée Zellweger) dê continuidade ao seu plano de demolir o edifício para a construção do primeiro cassino de Nova York, eles descobrem que o dedo, de fato, não pertence a nenhum deles – mas uma mensagem de texto revela que o Prefeito Tillman (Keegan-Michael Key) era o amante de Sofia e perdeu o dedo após um surto de ciúmes de Nicky.
Enfrentando o mafioso de uma vez por todas para impedi-lo de destruir o lugar que sempre chamou de lar, Lester acerta sua cabeça com uma manivela de elevador e, tentando fugir, é assassinado por Tillman e deixando para morrer na fonte do Arconia. O prefeito, então, tenta prendê-los e incriminá-los, mas Charles consegue libertá-los e Oliver, com uma carta na manga, mostra que gravou a confissão de Tillman – culminando em sua prisão. E, em um “final feliz” um tanto quanto fabulesco, Jay (Logan Lerman) confessa que tanto ele quanto Camilla e Bash conspiraram ao lado do prefeito para acobertar o assassinato de Nicky, sendo encarcerados e lançando uma pequena centelha de esperança e de respeito em Mabel.
Como imaginávamos, o capítulo de encerramento coloca os pingos nos “is” e, remando contra a conclusão dos ciclos anteriores, aposta fichas em uma espécie de resolução quase anticlimática que dialoga com a personalidade controversa de boa parte dos antagonistas – como Camilla, Bash, Nicky e Tillman. J.J. Philbin e Ben Smith se mostram ousados em finalizar essa trama de maneira inesperada, e sem medo de causar certo desconforto ou certa frustração nos inveterados fãs da produção. De certa maneira, a jogada dos roteiristas é muito interessante conforme mostra que a criatividade também pode existir em uma espécie de “clímax anticlimático”, como já mencionado, a ponto de nos deixar em suspensão momentâneo esperando mais uma virada na história.
O mote principal da temporada parece ter sido “recomeço”: afinal, Charles, Oliver e Mabel se viram arremessados em um recomeço mandatório com a iminência da perda de seus apartamentos, enquanto Camilla, Bash e Jay recomeçaram a tentativa de construir um império destrutivo de apostas e vícios. Ora, até mesmo Sofia e a viúva de Lester, Lorraine (Dianne Wiest), foram obrigadas a recomeçarem não apenas uma, mas duas vezes – com o assassinato de seus respectivos maridos e após a resolução do caso, que as compeliu a perseguir os próprios sonhos e a seguirem em frente depois de tanta tristeza. No geral, esquadrinhar um dos lados mais gloriosos e fascinantes da complexidade humana como força-motriz para cada um dos arcos dos personagens funciona bastante e consegue, inclusive, ofuscar pontuais deslizes.
Apesar da quinta temporada de ‘Only Murders in the Building’ ter chegado ao fim com um episódio que, em alguns aspectos, não faz jus à beleza de um dos ciclos mais instigantes e envolventes da série, o resultado é aprazível o suficiente para ficarmos de olho na próxima aventura dos detetives do Arconia – principalmente com um inesperado gancho que já nos deixa ansioso para os próximos capítulos.
