Crítica | ‘A Espiã Vermelha’ – História Real com Lógica Distorcida

Crítica | ‘A Espiã Vermelha’ – História Real com Lógica Distorcida

Nota:


O ano era 1938. O mundo ainda estava se recuperando das consequências da Primeira Guerra Mundial. Os países, assustados com o que havia acontecido, buscavam formas de tentar se proteger caso algo similar acontecesse novamente. É nesse contexto que conhecemos a jovem Joan (Sophie Cookson), uma mocinha tímida e assustada, caloura do curso de Física da Universidade de Cambridge que, numa noite qualquer, conhece a estonteante Sonya (Tereza Srbova), com quem trava grande amizade.

Sonya convida Joan a assistir a um filme. O que seria um programa de entretenimento simples, era, na verdade, a exibição de um filme comunista entre um grupo de amigos que discutiam as ideias socialistas. É nessa reunião que Joan conhece Leo Galich (Tom Hughes, o bonitinho de ‘Questão de Tempo’), primo de sua melhor amiga, por quem se apaixona. Rapidamente a empolgação do grupo ganha as ruas e muitos acabam se filiando a partidos políticos. Joan, porém, embora concordasse com muitas ideias, não se filia a nada, ao contrário, consegue um estágio na Tube Alloys, um projeto com nome de fachada que tinha como objetivo desenvolver uma bomba superpoderosa para se prevenir caso uma nova guerra acontecesse.

Em paralelo, acompanhamos a Sra. Joan Stanley (Judi Dench), já idosa, recebendo a polícia em sua casa, sendo acusada de ter traído a Coroa britânica. Ela é levada para a delegacia e a cada prova que lhe é apresentada, as lembranças de sua juventude voltam à memória, e o espectador vai acompanhando como as coisas foram acontecendo até tomarem o rumo que nos é apresentado já na primeira cena do filme.

O roteiro de Lindsay Shapero opta por contar essa história – que não chega a ser suspense, mas sim um drama – intercalando o presente com memórias do passado, e isso corta o ritmo do filme, que, toda vez que parece fluir, acaba sendo interrompido pelo rosto de Judi Dench fazendo uma expressão de sofrimento. Sério, as cenas dela não acrescentam nada ao filme, melhor teria sido contar a história como foi feito em ‘Titanic’, com a velhinha aparecendo apenas na primeira e na última cena, abrindo e fechando a trama.


Aproveite para assistir:


A direção de Trevor Numm garante um elenco bem orientado e que entrega atuações condizentes com os personagens. A produção de figurino e cabelo consegue também contrastar bastante os personagens através dos estilos e cores adotados por cada um. Tudo isso ajuda a apresentar uma história baseada em fato real, oriunda do livro ‘Red Joan’, de Jennie Rooney (lançado no Brasil pela editora Record). Entretanto, não é suficiente para gerar carisma. A personagem principal, no conflito de seu grande dilema, ou é inocente demais, ou possui uma lógica bem distorcida para defender princípios caros ao povo britânico.

Seja qual for a verdade, Joan, que ficou popularmente conhecida como “A Vovó Espiã”, foi bem retratada pela direção de Trevor Numm, que termina o filme deixando a resposta para o espectador: afinal, Joan era mesmo uma espiã para o Comitê de Segurança Russo – a KGB?


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