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Crítica | A Fonte da Juventude – John Krasinski e Natalie Portman em Sessão da Tarde de Guy Ritchie


Existem lendas que perduram a humanidade por séculos e séculos, e ninguém nunca conseguiu encontrar a verdade por detrás. Por exemplo, o famoso El Dorado, uma suposta cidade inteirinha revestida em ouro perdida em algum lugar do oceano – e que já fez centenas de homens perderem suas vidas em sua busca. Outra lenda muito conhecida é a tal fonte da juventude, que supostamente jorraria uma espécie de água milagrosa da qual quem bebesse jamais envelheceria, ou, em outras versões, simplesmente rejuvenesceria ou viveria para sempre. E o cinema, claro, já se debruçou sobre estes temas muitas vezes, direta ou indiretamente, e uma vez mais volta a abordar a magia dessas lendas com o longa ‘A Fonte da Juventude’, mais novo lançamento da AppleTV+ a seus assinantes.

Luke (John Krasinski, de ‘Um Lugar Silencioso’) e Charlotte (Natalie Portman, de ‘V de Vingança’) são dois irmãos que compartilharam, anteriormente, uma sede de aventuras junto com o pai, porém, após o falecimento deste, cada um seguiu por um lado: Luke se transformou em um ladrão de relíquias enquanto Charlotte optou por uma vida mais tranquila, com casamento e um emprego estável como curadora de um museu na Inglaterra. Dez anos se passaram e os dois estão afastados, até que Luke reaparece no radar e rouba um quadro do museu em que Charlotte trabalha. Abismada com a audácia, ela vai atrás do irmão para tirar satisfações e recuperar a peça, mas, ao invés disso, acaba embarcando numa aventura muito louca ao redor do mundo atrás da famosa fonte da juventude, em uma viagem custeada pelo milionário Owen (Domhnall Gleeson, de ‘Questão de Tempo‘).



A Fonte da Juventude’ tem ares de aventura e se propõe ser o tipo de filme pipocão para ver em família – e, nesse sentido, funciona. Até porque embora haja cenas de perseguição e tiroteio, não há sangue, nem mortes evidentes, o que faz com que o filme seja seguro para a criançada, mais ou menos como ‘Indiana Jones’.

E é exatamente nesta fonte da franquia de Harrison Ford que James Vanderbilt bebe, tecendo um roteiro que não quer tanto se autoexplicar, deixando espaço maior para as muitas cenas de aventura que devem preencher o longa. Em contrapartida, para evidenciar a inteligência de seus protagonistas, o roteiro constrói um desfile verborrágico de falas que não dá nem para acompanhar, pois Luke e Charlotte falam tudo tão rápido e com tanta precisão, que resta ao espectador desistir de acompanhar e aceitar (ao contrário do que vemos em ‘O Código Da Vinci’, em que o roteiro deixa espaço para o espectador absorver a informação histórica). Personagens e roteiro passeiam pelos países e por elementos históricos com a mesma facilidade com que destilam indiretas uns aos outros. E aqui vai uma crítica na construção da relação dos irmãos, pois Luke é apresentado como um cara divertido e leve, mesmo que sendo um ladrão, enquanto Charlotte é uma mulher chata só porque quer manter sua rotina de vida comum; literalmente até o filho dela a chama de chata e acha o tio mais legal. Assim fica difícil de gostar da personagem ou de defender os roteiristas.

Entretanto, ‘A Fonte da Juventude’ é um filme de Guy Ritchie, e é aí que entra o verdadeiro motivo de se assistir a este filme. O diretor é conhecido por câmeras mirabolantes, planos-sequência de tirar o fôlego, uma montagem super ágil e cenas de ação (luta, perseguição, corre-corre) bastante cinematográficas, e tudo isso está em ‘A Fonte da Juventude, principalmente na sequência inicial, de apresentação do personagem Luke. Guy Ritchie deixa sua assinatura em todo o filme tal qual os pintores ocultavam as suas em seus quadros.

Sem trazer nada de novo e com uma história cheia de lacunas, ‘A Fonte da Juventude’ entrega aventura cheia de referências históricas com um sabor de início de franquia. Uma opção interessante em família já disponível na AppleTV+.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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