Crítica | A Guerra de Anna – Filme Retrata a Sobrevivência de uma Criança na II Guerra Mundial

O tema da II Guerra Mundial é sempre muito sensível de se abordar nos filmes, afinal, trata de um dos maiores genocídios humanos da História. Especialmente quando tem uma criança como protagonista, como é o caso deste ‘A Guerra de Anna’, que foi exibido no Brasil na Mostra de Cinema de São Paulo em 2018.

Com uma hora e dez minutos de duração, o filme conta a terrível história da pequena Anna (Marta Kozlova), que já na primeira cena choca o espectador, pois a vemos misturada a um monte de cadáveres em uma cova. Anna está viva, e, a muito custo, consegue sair dali, porém em seguida é encontrada e levada a um quartel-general dos nazistas. A pequena consegue escapar e se esconde na chaminé do quartel-general. Ali, Anna passa seus dias escondida entre fuligens, observando a movimentação diária dos soldados e, à noite, desce para buscar comida ou água.

Não é preciso dizer muito mais para entender que o longa é extremamente angustiante, afinal, ele é essencialmente isso: a história de sobrevivência de uma criancinha em meio à terrível guerra que assolava a Rússia em 1941. Escondida em um buraco, Anna se rebaixa a comer restos de comida para sobreviver, bebe água do pratinho da planta, etc. É preciso ser forte para ver essas cenas.

Para além da temática, entretanto, é preciso analisar o produto como o filme que é – e, tecnicamente, ‘A Guerra de Anna’ é bastante experimental e sem amarras com os elementos básicos que compõem a narrativa audiovisual. Embora tenha uma bela fotografia, linearidade e continuidade, o roteiro de Aleksey Fedorchenko (que também dirigiu o longa), por exemplo, possui pouquíssimos diálogos e, tirando a protagonista, não há personagens no longa. Anna mesmo não fala nem uma frase sequer. Além disso, as transições das cenas são através do fechamento e abertura de câmera, o que faz com que as cenas terminem sempre com a tela preta – que leva uns três segundos para abrir e iniciar a próxima cena.

Ao pensar na sobrevivência de uma criança dentro do caos horrível da guerra, Aleksey Fedorchenko aproxima a câmera do universo inocente de Anna, e todas as pequenas descobertas dela (às quais o espectador adulto já conhece e, portanto, teme pelos resultados) geram angústia e desconforto. Assim, ‘A Guerra de Anna’ é um filme que causa muitas sensações físicas no espectador, que, através de metáforas e do faz-de-contas, é convidado a pensar a guerra pelos olhos de uma pessoa que não entendia muito bem o que estava acontecendo, e que, portanto, apenas lutava para sobreviver por mais um dia.

Notícias

Bradley Cooper estrelará novo live-action de ‘G.I. Joe’

De acordo com o Deadline, Bradley Cooper ('Nasce uma...

‘River’: Terror slasher com Jane Levy e Jessica Rothe ganha data de estreia

A Universal Pictures e a Blumhouse finalmente anunciaram quando...

Oi? Megan Fox vira “remédio” para disfunção erétil em ousada campanha

Megan Fox encontrou uma função bastante inusitada para sua...

Kathleen Kennedy se diz “aliviada” de deixar a Lucasfilm após 14 anos

Kathleen Kennedy revelou que sentiu “um pouco de alívio”...

Lulu Wilson retorna no teaser da sequência ‘Becky 3’; Confira!

A sequência 'The Last Temptation of Becky' (A Última...
Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.