Crítica | A Mulher Selvagem abre o Cine Ceará com PODEROSA atuação de Lola Amores

A Mulher Selvagem‘ (La mujer salvaje), primeiro dos seis filmes que estão na Mostra Competitivas Ibero-americana de Longa-metragem do 33º Cine Ceará, estreou impactando a audiência com uma história audaciosa e extremamente dramática.

A produção cubana dirigida por Alan González consegue chocar ao trazer a história de uma mulher em busca de sua liberdade em meio a um casamento tóxico, e tentando começar uma vida nova.

O filme começa com imagens bastante interessantes, que mostram o poder da atuação espetacular de Lola Amores como a protagonista Yolanda, dançando em uma festa loucamente antes de se envolver com um dos músicos do local. Quando seu marido flaga a traição, ele tentar matar o amante em uma batalha sangrenta que quase acaba em tragédia, e tudo é filmado em um vídeo que acaba viralizando em Havana, Cuba, aonde ela mora.

Enquanto o marido agressivo se esconde da polícia, acompanhamos a jornada desesperada e tensa de Yolanda procurando seu filho com seus familiares, para tentar fugir daquele relacionamento que a sufoca e recomeçar ao lado de seu bem mais precioso, o seu único filho.

Filmado em Havana durante a pandemia, o filme traz uma fotografia obscura e suja que mostra as diferenças sociais de Cuba. O diretor Alan González consegue passar uma ambientação catastrófica e sufocante, logo nos causando uma empatia com a protagonista e sua vontade de fugir daquele lugar.

Com apenas 93 minutos de duração, o maior problema de ‘A Mulher Selvagem‘ está em seu ritmo lento e falta de diálogos, com vários momentos em que a câmera apenas fica seguindo a protagonista em meio a becos sujos e ruelas da cidade. No começo é interessante para a ambientação, mas no segundo ato a falta de história chega a cansar.

Apesar do ritmo lento, ‘A Mulher Selvagem‘ se torna uma grande produção pela atriz Lola Amores, que consegue trazer todas as camadas da protagonista apenas com a linguagem corporal e expressões, em uma atuação poderosa e grandiosa que consegue causar uma grande empatia com o espectador – apesar dos atos auto-destrutivos da protagonista. A atuação de Lola mostra que ela é maior que o filme, e acaba elevando a produção a um status maior.

O terceiro ato, apesar de apressado, consegue transcender os problemas da produção ao finalmente focar na história da mãe e do filho de uma maneira extremamente emotiva e edificante, com fortes atuações tanto de Lola quanto do garotinho Jean Marcos Fraga Piedra.

É um filme que aborda o machismo estrutural na sociedade, o impacto dos relacionamentos tóxicos e a força da mulher quando se trata de seus filhos. E quando ele foca nesses tópicos, são os momentos em que o filme decola.

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Renato Marafon
Renato Marafon
Criador do CinePOP em 1999 e apaixonado por cinema.