Embates entre nora e sogra não é um tema passado despercebido em algumas produções audiovisuais. Em A Namorada Ideal, nova minissérie do Prime Video, volta-se a essa questão ao explorar os contrapontos entre os extremos de uma mãe superprotetora e uma jovem ambiciosa. Apostando na sensualidade e desvios morais como pontes chamativas para fisgar o público, a trama também nos conduz a um mar de possibilidades, onde o imprevisível se torna constante. A busca do espectador vai além de descobrir quem fala mais verdades.
Conflitos de classes sociais, o preconceito, síndrome do ninho vazio, a busca por argumentos que sustentam certezas… Para onde quer que se olhe, encontram-se temas interessantes em um discurso complexo de validar – construído através das versões distintas de mesmos fatos. O grande desafio é mostrar tudo isso ao longo de seis episódios. Há desencontros no roteiro mas a força do seu assunto base e as boas atuações mantêm a trama de pé.

Cherry (Olivia Cooke) é uma corretora de imóveis em busca de dias melhores para sua vida repleta de limitações. Ao conhecer Danny (Laurie Davidson), um médico recém-formado e filho único de uma família rica, a felicidade parece bater novamente em sua porta. A questão é que a mãe do novo amor, Laura (Robin Wright) – uma elegante dona de galerias de arte -, começa a desconfiar dela, levando essa história para uma série de conflitos brutais.

Sob dois pontos de vistas distintos – um de cada protagonista -, a narrativa ganha ritmo e amplia debates também por meio de um preciso jogo de câmeras, em que um mesmo assunto entra em contradição, dependendo do olhar. Essa combinação de elementos se soma a uma linguagem visual marcada por cores que potencializam o campo das emoções, bem conduzidos e espalhadas nos espaços onde os choques acontecem.

Há um interessante ‘jogo de gato e rato’ construído com marcas do passado, ajudando a modelar a estrutura emocional que rege as ações dos personagens. O amor exacerbado e a linha tênue desse jogo de interesses se transformam em fragmentos de relações tóxicas, repleta de mentiras e de mútua degradação da sanidade. Brilham em cena Olivia Cooke e Robin Wright – esta última, inclusive, dirige alguns dos episódios.

Por mais que insista, com sutileza e pelas entrelinhas, na pergunta: ‘o que você faria?’, não é intenção da obra se transformar em uma espécie de tribunal de ações e condenações. Apenas os fatos são apresentados, em duas versões. O amor e a ambição – camuflada muitas vezes em embates de conveniências até às últimas consequências – são algumas das pautas principais que podem levar o público a reflexões morais sobre o que seria ‘certo ou o errado’.

A Namorada Ideal, baseada na obra The Girlfriend da escritora britânica Michelle Frances, está com seus seis episódios já disponíveis no Prime Video. É uma minissérie que ganha fôlego a cada novo capítulo, até seu desfecho revelador. Para você que curte maratonar tudo em um dia, anota na lista para assistir e tire suas próprias conclusões.
