Crítica | A Química que Há Entre Nós: Drama com Lili Reinhart explora o peso do luto na adolescência


Essas combinações químicas que transbordam em um emocional naturalmente problemático e intenso, a inadvertida transformação hormonal que rompe literalmente pelos poros e a constante sensação de desajuste social…A adolescência é um dos ápices da complexidade da vida humana, onde padrões são estabelecidos, traumas podem ser gerados e identidades gradativamente são formadas. E essa implosão catártica ganha vida aqui em A Química que Há Entre Nós (Chemical Hearts), novo drama coming of age da Amazon Studios, estrelado por Lili Reinhart (Riverdale) e Austin Abrams (Euforia). E como uma convulsão biológica que se extravasa em sentimentos, a produção cruza as barreiras do raso, entregando uma adaptação cinematográfica que dá voz aos tormentos juvenis que tantas vezes são abafados em batidos estereótipos teens.

Sob a direção e roteiro de Richard Tanne, a adaptação do popular livro de Krystal Sutherland tenta fazer um raio X das emoções adolescentes aprisionadas. Trazendo um contraste entre dois personagens que (teoricamente) emanam apatia por perspectivas bem opostas, o longa tenta entender a problemática hormonal e emocional que rege essa fase da vida. E à medida que o diretor busca dar um nome científico às emoções afloradas dessa faixa etária – como o amor, o ódio, o rancor, o medo e a solidão -, mais ele se rende ao fato de que, em essência, alguns sentimentos são apenas pesados demais para lidar aos 16 anos de idade.

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Com uma trama que explora uma jovem que ainda lida com a dor da perda do seu primeiro amor, A Química que Há Entre Nós (Chemical Hearts) faz um relato sensível sobre as durezas do luto durante a adolescência e o peso que ele é capaz de trazer para a vida, afetando tudo ao redor. Apresentando uma versão mais frágil e desnuda de Lili Reinhart, o drama mostra o potencial que a popular atriz de Riverdale possui, destacando ainda Austin Abrams, que ajuda a dar corpo à dramaticidade da história, como um garoto que lamenta as poucas experiência da sua juventude e que acaba sendo confrontado pelo fardo emocional dessa misteriosa garota.

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Fazendo um contraponto entre o amor e o sofrimento – que nasce dessa paixão teen, o drama ainda aborda a depressão juvenil, abrindo espaço para uma reflexão sábia e delicada a respeito de como as pressões impostas à juventude estão contribuindo para uma geração cada vez mais fatigada antes mesmo dos 18 anos. E embora não seja suficientemente ousado em sua narrativa e tão pouco inovador, A Química que Há Entre Nós (Chemical Hearts) não perde o seu brilho como uma boa história sobre amadurecimento e consegue cativar a audiência durante todo o tempo de tela, ainda que sua trama seja bem previsível.

Explorando também o quão tortuoso e problemático é projetar a cura emocional em um novo relacionamento amoroso, o drama adolescente acerta por não romantizar o sofrimento e por não glamourizar a solução mágica de um trauma, a partir da dependência afetiva. Simbólico do começo ao fim, A Química que Há Entre Nós (Chemical Hearts) não tem receio de tocar e expor as feridas da alma e pode até mesmo se tornar uma experiência catártica para aqueles que ainda sufocam as dores e as perdas do passado ou até mesmo do presente.

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