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Crítica | ‘A Seita’ – Um frustrante e desencontrado suspense


As defesas contra o medo em mundo de vulnerabilidades emocionais. Chegou ao catálogo da HBO MAX um filme que traz à tona um assunto complexo e cheio de camadas – debates sobre o indivíduo, o coletivo e o comportamento em contextos sociais. Até aí, tudo interessante, mas a narrativa se joga em clichês, transformando bons debates em um foco na birra de uma adolescente mimada, que se deixa levar por ideias malucas. A Seita parte de uma premissa promissora, mas se transforma em um desfile de desperdícios.

Ben (Eric Bana) é um psicólogo social e professor, com feridas no passado, que vai morar na Alemanha após o divórcio. Uma série de acontecimentos estranhos começam a acontecer na sua nova cidade, provavelmente ligados a uma seita comandada pela enigmática Hilma (Sophie Rois). Ao mesmo tempo, sua filha Mazzy (Sadie Sink) chega dos EUA para passar um tempo com ele e logo é alvo dos responsáveis pelos acontecimentos macabros na cidade.



Escrito e dirigido pela cineasta britânica Jordan Scott, o projeto busca, em um primeiro momento, explorar o estado de vulnerabilidade – algo que se mostra atual e capaz de gerar boas reflexões. O problema é que, mesmo desenvolvendo bem os personagens no começo do arco dramático do protagonista, se perde ao acelerar rumo ao clímax, introduzindo um plot twist pouco convincente. Esse fator faz o trem descarrilhar por completo, se distanciando totalmente do discurso. Debates que poderiam ser interessantes sobre o indivíduo e o coletivo acabam se diluindo em um suspense desencontrado.

O roteiro é pouco consistente, com brechas inalcançáveis (cheio de lacunas), e tentar apresentar de forma corrida respostas para tudo que surge em cena. De personagens pouco explorados até um desfecho entediante, a obra produzida por Ridley Scott acaba sendo mais um daqueles filmes frustrantes que buscam explorar a sociologia de forma embaralhada e, muitas vezes, sem sentido. Faltou muito para que se tornasse um suspense convincente.

 

Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
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