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Crítica | A Verdade em Segredo – Péssimo suspense sobre terrorismo com Jamie Lee Curtis


Depois de lançar seus primeiros filmes originais – em sua maioria, comédias – a TNT chegou essa semana com o suspense político ‘A Verdade em Segredo’, que, já nos primeiros minutos já levanta a suspeita de ser um dos piores filmes lançados esse ano em todas as plataformas.

Elizabeth Lamm (a monótona Tika Sumpter), ou Libby, é uma pessoa que fez alguma coisa no passado e que, nos primeiros momentos, a gente não sabe o que é, mas aparentemente é algo muito grave e tem alguma coisa a ver com a alta cúpula do governo estadunidense, encabeçado pela vice-presidente (Jamie Lee Curtis, tão forçada que faz a gente se perguntar o que a fez aceitar esse papel). Corta para: Elizabeth entrando em uma universidade, há um protesto na porta, a gente não sabe o que está acontecendo. Elizabeth vai dar aula nessa universidade, a gente não sabe como ela foi do alto-escalão do governo pra se tornar uma professora, mas segue o baile. A câmera foca num estudante com um semblante de chuchu, Martin Salhi (Ben Tavassoli completamente entediado), e fica seguindo ele pra cima e pra baixo, às vezes alternando para Elizabeth – e a conexão entre eles só vai ser revelada no terceiro arco do filme.



Olha… fica complicado. O roteiro é construído dessa forma aí que dissemos, alternando o momento atual com flashbacks do episódio decisivo ocorrido quatro anos antes, em 19 de junho, e isso é extremamente confuso, até porque o filme não revela o que foi o que aconteceu nem o porquê de Elizabeth temer pela própria vida o tempo todo. Sem contar pro espectador o que é, a gente não consegue criar uma conexão com a história. As revelações só aparecem na meia hora final, e, quando ocorrem, impacta em zero por cento o espectador.

O trabalho do diretor Joe Chappelle poderia ter sido bem mais firme, afinal, mesmo com um roteiro estranho, é papel do diretor conseguir um melhor resultado do conjunto da obra, então, entre outras coisas, poderia ter cobrado melhor entrega de seu elenco, que parece desconfortável e sem uma orientação básica sobre como atribuir emoção aos seus personagens.

Sem querer dar spoilers (afinal, descobrir qual é o tal segredo de ‘A Verdade em Segredo’ é o grande acontecimento deste filme, que não traz nada de novo, e, pior, reforça a construção paranoica estadunidense de que existe um grande inimigo à espreita doido para destruir a hegemonia daquele país), ‘A Verdade em Segredo’ é um desses filmes que devem ser vistos na parte da noite, pois funciona como um ótimo potencializador de sono – algo que estamos precisando nesses dias de reclusão.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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