quarta-feira, fevereiro 21, 2024

Crítica | A Viagem de Pedro é uma experiência cinematográfica que retrata intimidade da família imperial

O período imperial brasileiro até hoje desperta muita curiosidade para a nossa população – e mesmo no exterior, uma vez que ainda há muita gente que não sabe que no Brasil se fala português como língua oficial. Embora a temática e o período histórico já tenham sido bastante (e quase que exaustivamente) abordados no formato de novela histórica na tv aberta, pouco desse tema foi levado às telonas. Na contramão do que vinha sendo trazido ao público brasileiro, ‘A Viagem de Pedro’ é um longa-metragem imersivo, que pôde ser visto pelo público previamente durante o Festival do Rio 2021 e a Mostra de Cinema de São Paulo 2021 e tem previsão de estreia nos cinemas brasileiros em 2022.

O ano é 1831. O então imperador do Brasil, D. Pedro I (Cauã Reymond) se vê obrigado a retornar à Europa, pois seu irmão. D. Miguel (Isac Graça), ameaça tomar o trono de Portugal para si, uma vez que os próprios portugueses estariam desgostosos com o abandono da família real ao território português. Por conta disso, D. Pedro I embarca numa viagem pouco planejada, bastante às pressas, e deixa para trás não só o grande amor de sua vida, Domitila (Rita Wainer), mas também seu filho, D. Pedro II, que fica no Brasil sozinho, sendo ainda uma criança. Mas essa viagem, que é mais uma fuga do que um passeio, irá despertar diversas percepções no imaginário do monarca.

Em cerca de uma hora e meia de duração, ‘A Viagem de Pedro’ não é um filme comum. A produção de Laís Bodanzky não obedece aos padrões narrativos conhecidos, criando um filme que é uma espécie de documentário ficcional. Uma vez que o período imperial e colonial são conhecidos pelo povo brasileiro quase que inteiramente a partir dos registros escritos feito por europeus e seus descendentes (resgatados por pesquisadores e historiadores), mas cujos detalhes não chegam ao grande público nem mesmo durante o período escolar (não dá nem tempo né, são muitas matérias para estudar), ao trazer uma parte da história brasileira, ainda que com a liberdade da ficção, a diretora presta um grande serviço ao país, iluminando este episódio nublado do período imperial.

Escrito pela diretora, ‘A Viagem de Pedro’ é um filme experimental que mistura diversas técnicas de filmagem e de narrativa, ora indo para o teatro, ora documentando, ora, ainda, flutuando no fantasmagórico, na fantasia e no misticismo, num embate entre a branquitude e o orgulho imperial. Cauã Reymond despe o imperador dos seus inúmeros sobrenomes e entrega um protagonista confuso, paranoico, a beira do surto, doente e disposto a se agarrar nas religiões de matriz africana para blindar seu destino. E quem disse que não teria sido assim? De quebra, ainda contracena com sua filha da vida real, Sofia, que faz uma breve participação no filme.

A Viagem de Pedro’ é uma experiência cinematográfica que alcança a expectativa gerada desde o anúncio de sua filmagem. Com ares de superprodução, porém com baixo orçamento e parceria com a Marinha, o longa contribui para desconstruir a imagem da família imperial perfeita e intocável, colocando-a, felizmente, dentre o mundo dos mortais.

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