Crítica | ‘Acampamento Jurássico’ – Série de Animação Resgata o Melhor da Franquia ‘Jurassic Park’


A franquia ‘Jurassic Park’, iniciada em 1993 e popularizada pela direção de Steven Spielberg, fez tanto sucesso à época de seu lançamento que ganhou mais duas sequências, as quais fecharam um importante ciclo. Aí então, por conta desse mesmo sucesso, a franquia ganhou um novo bloco sequencial, com ‘Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros’ em 2015 e, em 2018, ‘Jurassic World: Reino Ameaçado’, sendo que atualmente está em gravação a última parte dessa trilogia, ‘Jurassic World: Dominação’, com previsão de estreia em 2021. Diante de um projeto tão longevo e lucrativo, mais uma derivação chega ao público agora, dessa vez no formato de série animada original da Netflix, com o nome ‘Jurassic World: Acampamento Jurássico’.

Darius (Paul-Mikél Williams) é um jovem fanático por dinossauros. Um dia, ele descobre que quem zerar o jogo de ‘Jurassic Park’ ganhará um ingresso para visitar o ‘Jurassic World: Acampamento Jurássico’, e ele se dedica a isso até conseguir. Uma vez no acampamento, ele conhece Brooklynn (Jenna Ortega), Ben (Sean Giambrone), Yasmina (Kausar Mohammed), Kenji (Ryan Porter) e Sammy (Raini Rodriguez), com quem irá viver diversas aventuras num acampamento que deveria ser apenas diversão, mas acaba virando uma verdadeira jornada de sobrevivência.

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Dividido em oito episódios curtinhos com menos de trinta minutos cada, o roteiro escrito por sete pessoas e desenvolvido por Zack Stenz (baseado no livro de Michael Crichton) apresenta uma subtrama (ou miniaventura) em cada capítulo, que, juntas, fazem a história da temporada andar. Isso significa que caso os capítulos sejam assistidos fora da ordem, o espectador pode perder alguma peça do quebra-cabeças.

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O roteiro geral de ‘Acampamento Jurássico’ é recheado de aventuras, um pouco até demais. Os jovens protagonistas ficam o tempo todo se metendo em uma enrascada, livres na Ilha Nublar sem a supervisão constante de um adulto. É sério! Eles se metem em tantas desventuras que, a partir do episódio 5, os próprios personagens começam a questionar a segurança e funcionalidade do parque, se perguntam por que os adultos os deixam sozinho e o quê estão fazendo ali. Isso é um pequeno sinal de que o enredo deu uma abusada nas subtramas – e, consequentemente, acabou encontrando algumas soluções meio óbvias e/ou forçando a barra para desenvolver os backgrounds dos personagens com histórias meio exageradas.

Chama atenção o fato de ‘Jurassic World: Acampamento Jurássico’ ter ganhado classificação livre na Netflix. Embora sua estética seja realmente incrível, com um alto grau de realismo tátil – tornando extremamente convincente as superfícies da pele dos T-rex, por exemplo, ou do cabelo de Darius –, a trama possui cenas ao mesmo tempo bastaaaante infantis (especialmente nos primeiros quatro episódios, com repetições de indução de vômitos e outras escatologias) e um bocado adultas (cenas que dão a entender que os dinossauros literalmente comeram pessoas, matando-as). Estas cenas são bastante evidentes, e, embora tenham esse visual meio de videogame, talvez as crianças muito pequenas se sintam incomodadas com a pegada mais de terror/adulto que ocorre na segunda metade da temporada.

Embora não consiga definir por qual público alvo quer atingir, ‘Jurassic World: Acampamento Jurássico’ é uma série super ágil, que resgata o que há de melhor das cenas mais marcantes dos filmes da franquia e as recria inserindo-as universo mais jovem e animado da série, o que garante não só a antecipação do espectador, como também a identificação memorialística e a torcida inconsciente de quem assiste. Assim, a trama ganha muito ritmo, que, associado ao deslumbrante trabalho dos efeitos visuais, faz a gente constantemente esquecer que está assistindo a um desenho animado.

Jurassic World: Acampamento Jurássico’, salvo alguns exageros, é uma aventura serial tão bem feita, que imerge o espectador de volta ao incrível mundo de ‘Jurassic Park’ e faz a gente acreditar que os dinossauros existem.

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.