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Crítica | ‘After – Para Sempre’ – Capítulo Final da Franquia Desvia a História e tem Desfecho Acelerado


Não é exagero reconhecer que é a franquia ‘After’ é um tremendo sucesso. Com milhões de páginas lidas na plataforma do Wattpad e com livros em formato físico lançados em seguida, não foi difícil adivinhar que o caminho para a adaptação cinematográfica era inevitável. Assim, os fãs do casal Hardin e Tessa puderam sonhar de olhos abertos com os quatro filmes produzidos sobre o universo do vaivém do casal. E, a partir desta semana, os fãs poderão assistir ao último filme, o último episódio dessa história, pois chega aos cinemas brasileiros o longa ‘After – Para Sempre’.

Hardin (Hero Fiennes Tiffin) fez uma escolha: escreveu sua história de amor com Tessa (Josephine Langford) e a enviou para editores sem pedir o consentimento de Tessa antes. Acontece que o livro foi publicado e se tornou um tremendo sucesso, mas Tessa se sentiu exposta e vulnerável ao ter sua vida íntima publicada para todos lerem antes mesmo dela. Por conta disso o relacionamento dos dois termina e Tessa volta para casa, decidida a seguir adiante com sua vida. Dois anos se passam e Hardin está empacado no mesmo lugar: sem conseguir o perdão do grande amor da sua vida e sem conseguir escrever seu próximo romance. No intuito de tentar desbloquear sua criatividade Hardin viaja para Lisboa e para reencontrar Nathalie (Mimi Keene), com quem vacilara no passado e com quem precisa se redimir por conta dos seus erros, para somente assim se tornar um homem melhor para Tessa.



Em aproximadamente uma hora e meia ‘After – Para Sempre’ é definitivamente um desvio no percurso da história original. Se até agora os fãs acompanharam o vaivém do casal, com entrada de concorrentes aos corações dos dois e muitas decisões erradas tomadas que os afastava do almejado final feliz, neste último capítulo a história se passa exclusivamente com o protagonista masculino, de modo que Tessa aparece majoritariamente em cenas de flashback, que se repetem com muita frequência. Além de cansar – uma vez que a protagonista da série é menina – essa técnica acaba quebrando o ritmo do filme, pois o tempo todo Hardin para o que está fazendo para olhar uma foto da ex-namorada, lembrar de seu rosto, rememorar momentos junto a ela, etc.

Baseado nos livros de sucesso de Anna Todd o roteiro dela com Castille Landon busca redimir o bad boy para torná-lo um homem direito, digno de um final feliz. Para tal, cria uma personagem do passado a quem ele aleatoriamente decide pedir desculpas mas que, no final das contas, não se desculpa, porque ambas as personagens mulheres o perdoam antes mesmo de ele abrir a boca. Uma mensagem bastante errada, que apenas passa pano para os erros do personagem masculino.

Apesar do exagerado desvio na trama, Mimi Keene traz cor e frescor à franquia cinzenta de ‘After’: por se passar na ensolarada Lisboa o longa acaba oferecendo alguma novidade para o enredo geral – dessa vez com menos cenas de pegação, porém mais bem-feitas. Para quem leu todos os livros e viu todos os filmes pode sobrar um quê de frustração pois a resolução de Hardin e Tessa ocorre muito rapidamente, quase como um epílogo no filme de Castille Landon.

After – Para Sempre’ encerra a franquia de sucesso e cumpre a promessa aos fãs de entregar filmes de entretenimento bastante semelhante aos livros que conquistaram tantos leitores.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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