Crítica | Agente Oculto: Chris Evans e Ryan Gosling estrelam filme eletrizante e genérico dos Irmãos Russo



Membros corruptos da CIA contra um agente às avessas que está em sua própria jornada do herói. A premissa familiar e genérica de Agente Oculto não o torna nada diferente de uma fileira infindável de outros icônicos filmes de ação do passado. Com uma trama rasa e bastante óbvia, o novo longa dos Irmãos Russo chega à Netflix com a proposta de tentar superar as dezenas de mortes gráficas que alucinaram os fãs em Resgate, filme com Chris Hemsworth. Sob uma enorme responsabilidade de entregar o mesmo nível de adrenalina de sua produção anterior, Joe Russo co-assina o roteiro com Stephen McFeely e Christopher Markus se alia a seu irmão Anthony Russo na direção de um filme que, embora seja piegas e às vezes até cafona, tem tudo para encontrar uma audiência fiel.

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É fato que a escolha de um elenco caro é totalmente indiferente em Agente Oculto. Ryan Gosling (indicado ao Oscar), Ana de Armas (indicada ao Globo de Ouro) e Chris Evans (ex Capitão América) não são marcantes em suas performances e facilmente poderiam ser substituídos por atores mais “econômicos”. Mas cercados por uma extensão inesgotável de explosões e cenas de ação que se assemelham a passeios em uma montanha-russa, o thriller de espionagem/ação consegue ser divertido e entrega aquilo que promete: Momentos eletrizantes que nem as Leis da Física conseguem explicar.

Com coreografias de luta bem arquitetadas e uma direção que tenta ser conceitual, mas não consegue colar nesse sentido, Agente Oculto entrega para a audiência cenas de ação banhadas na teatralidade, sob luzes fluorescentes, fumaças coloridas e outros elementos bem performáticos e exagerados. Tentando espelhar essas tomadas no brilhantismo da direção de Chad Stahelski na franquia de John Wick, os Irmãos Russo transformam o orçamento dado pela Netflix em um playground, levando sua trama para os mais diversos lugares da Europa como Praga, Croácia e Siena (onde temos 10 minutos de um excelente e caricato Wagner Moura).

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E ainda que o roteiro do original Netflix não seja bom o bastante para justificar o seu exagerado orçamento, o maior problema do thriller de espionagem é de fato Chris Evans. Com uma atuação breguíssima e mal construída, ele entrega um vilão malvadão típico de desenhos animados infantis, superficial e sem qualquer motivação palatável. Seus diálogos cafonas e manjados o tornam insuportável em tela, como aquele personagem tão mal feito, que chega a ser difícil aturar duas horas de suas aparições em tela. E aquele bigode dos anos 80…é sofrido.

Mas com uma poderosa descarga de adrenalina (e de cartuchos de armas automáticas), o novo filme da Netflix acerta nos elementos que mais convencem a audiência: Boas cenas de confronto e sequências incessantes de tiroteio e explosões envolvendo veículos. Com pequenos respiros ao longo de suas duras horas de duração, Agente Oculto é feito para aqueles que não esperam muito de um filme de ação e é pode agradar até mesmo os cinéfilos mais exigentes – desde que eles estejam dispostos a aguentar as chatices do pior vilão do cinema recente.

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Rafaela Gomes

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