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Crítica | ‘aka Charlie Sheen’ – Bombástico documentário traz revelações surpreendentes do polêmico ator Charlie Sheen


De peito aberto para refletir sobre os assuntos polêmicos de sua conturbada carreira e vida pessoal, o ator Charlie Sheen tem sua trajetória passada a limpo, repleta de histórias que beiram ao inacreditável, mas totalmente reais. aka Charlie Sheen chega para preencher lacunas nunca antes exploradas, além de trazer revelações surpreendentes sobre o astro de uma Hollywood de décadas atrás.

Você deve ter percebido o termo ‘AKA’ no início do título. Essa é uma abreviação em inglês da expressão Also Known As, na tradução: ‘também conhecido como’. É exatamente com esse gancho que a narrativa se desenvolve em um longo bate-papo numa lanchonete. Nascido Carlos Irwin Estevez, e logo adotando Charlie Sheen como nome profissional, filho de um dos maiores atores da história do cinema (Martin Sheen), o artista, de recém-completos 60 anos e que teve várias vezes no fundo do poço, parece agora confortável em lidar com os problemas do passado.



Partindo de sua infância e adolescência, passando pelo primeiro contato com uma super 8, pelo sucesso do seu irmão Emilio Estevez, pelo início da carreira e, em seguida, a chegada ao estrelato após Platoon – e consequentemente, pelo caos de autodestruição quando se perde com abusos de muitos tipos de drogas -, o projeto, dividido em duas longas partes, traça um contundente e emocionante retrato de um ator imprevisível que tomou conta dos tabloides muito mais pelos absurdos que fazia do que pelo seu reconhecido talento.

Intercalando a escalada pela profissão com embates pessoais que reverberaram por toda sua família – inclusive seu irmão famoso, e o próprio pai, não quiseram participar do documentário – o filme recorre a imagens de arquivos, vídeos da adolescência e registros de algumas de suas atuações mais famosas. Sua força maior, porém, está nos impactantes depoimentos de amigos – alguns famosos, como Sean Penn e Jon Cryer -, das ex-esposas, de familiares, além do próprio protagonista. De forma cronológica, somos testemunhas de reflexões em tom de desabafos, sem esconder fatos e lidando com as verdades das suas inconsequências.

Mesmo sem aprofundar sobre questões envolvendo o irmão – deixando no ar uma possível rixa com Emilio Estevez sobre o papel em Platoon -, Charlie faz questão de mencionar diversas vezes a importância do pai. Com essa questão contornando toda a narrativa, acaba servindo de gancho para todo o arco familiar. Uma ótima sacada.

As histórias que se seguem são mirabolantes, mas verdadeiras. As farras e amizade com Nicolas Cage, as intervenções organizadas por sua família – em uma delas com direito a ligação de ninguém menos que Clint Eastwood – e até a participação em um programa onde venceu Michael Jordan no Basquete estão entre as mais marcantes, e certamente vão dar o que falar.

No quadrante final desse mosaico de altos e baixos de uma vida de excessos, insere-se na mesa de debates a questão da espetacularização de sua condição, o papel sensacionalista da mídia além de revelações bombásticas – uma delas inédita, no desfecho, deve surpreender muita gente.

Talvez a nova geração não conheça tanto o talento do ator Charlie Sheen – que chegou a ter o maior salário da televisão norte-americana durante o estrondoso sucesso em Two and a Half Man -, e apenas tenha ouvido falar de suas histórias e polêmicas. Este documentário chega para aproximar o público das verdades por trás desse caminho turbulento até os dias de hoje. Ao mesmo tempo, por meio de suas próprias reflexões, também não deixa de ser um alerta para os vícios e todo o mal que atinge não apenas o protagonista de tais atitudes e ações, mas também todos ao seu redor.

Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
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