Crítica | American Horror Story – 09×07: The Lady in White

Crítica | American Horror Story – 09×07: The Lady in White

Nota:


Quando a nona temporada de American Horror Story foi anunciada, grande parte dos fãs ficou um tanto quanto decepcionada que vários nomes conhecidos da antologia não retornariam para as telinhas. É claro que desde a quarta temporada isso ocorria, marcando o último ano de Jessica Lange no elenco protagonista; na nova iteração, Sarah Paulson e Evan Peters dariam adeus à série pela primeira vez, apostando em outros trabalhos ao invés de mergulhar ainda mais fundo no panteão de horror arquitetado por Ryan Murphy e Brad Falchuk.

Felizmente, alguns membros ainda voltariam para mais uma assombrosa aventura, incluindo Leslie Grossman, Emma Roberts e Cody Fern. Mesmo assim, não podíamos deixar de sentir uma certa defasagem artística e nostálgica trazido pelo elenco veterano; qual foi nossa surpresa quando Lily Rabe (que interpretou icônicas personagens na produção, como a Irmã Mary Eunice em Asylum e a ingênua Misty Day em Coven) anunciou seu retorno para ‘1984’ em um papel que só seria revelado nos primeiros minutos do sétimo e antepenúltimo episódio. Apesar da brevidade de sua aparição, sua incrível performance serviu como impulso para que “The Lady in White” insurgisse como um dos melhores capítulos não apenas desta temporada, mas da antologia inteira.

Com o reinício promovido pela dupla de criadores, AHS caminhava para sua aguardada resolução narrativa. Os rumos tomados pelos personagens principais agora são outros: em vez da tentativa constante de sobreviver aos ataques de serial killers que brutalmente invadiram o Acampamento Redwood, os sobreviventes (e até mesmo os espíritos daqueles que já partiram) buscam agora por nada menos que vingança. Brooke (Roberts), trazida de volta à vida por uma arrependida Donna Chambers (Angelica Ross), deseja retornar àquele maldito lugar e observar pacientemente a ruína de sua nêmeses, Margaret (Grossman). Afinal, a falsa devota a transformou na vilã da história e foi responsável por sua quase morte – além de ter-lhe roubado praticamente uma década inteira. Mas, para além de uma simples vendeta, Brooke quer que Margaret sofra o mesmo tanto que sofreu dentro das maciças paredes do manicômio.

Porém, ela não é a única que deseja isso: todos os monitores que foram brutalmente assassinados transformaram-se em mortíferas máquinas de combate, nutrindo suas eternas existências no solo abominoso de Redwood, condenados a vagarem até o fim dos tempos. Antes movidos pela pura histeria coletiva e pela frustração do pós-morte, cada um deles se rende aos prazeres da matança, garantindo que nenhum visitante seja bem-vindo. E é claro que eles não perderiam a oportunidade de transformar o “show beneficente de terror” que Margaret está planejando naquele lugar em um banho de sangue – e isso é o que o episódio começa a premeditar logo no terceiro ato.

É bastante óbvio perceber como a temporada não apenas concluiu alguns arcos nos capítulos passados, como também acrescentou diversas camadas às tramas exploradas, abrindo brechas interessantes que, no geral, são bastante funcionais. De fato, o roteiro assinado por John J. Gray volta às emulações do primeiro episódio e transforma “The Lady in White” em uma transposição do clássico ‘Sexta-Feira 13’, incrementando a narrativa com diversas referências automaticamente absorvidas pelo público. O próprio prólogo funciona como uma homenagem ao longa dirigido por Sean S. Cunningham: Rabe entrega uma de melhores performances de sua carreira ao encarnar a problemática Lavinia Richter, uma ex-cozinheira que trabalhava no Acampamento ainda na década de 1940 e que matou todos os monitores depois da trágica morte de seu filho mais novo, Bob.

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E isso não é tudo: ao longo da trama principal, descobrimos que Mr. Jingles, antes conhecido como Benjamin (John Caroll Lynch) era filho de Lavinia e também foi culpado pela própria mãe, que nunca o amou, pelo falecimento do irmão. Benjamin, tentando se salvar, foi responsável pela morte da mãe e desde então carregou a culpa em seu interior – talvez explicando suas tendências de personalidade psicótica. Eventualmente, ambos os personagens de reúnem numa abandonada cabana e são engolfados em um catártica sequência que utiliza como referência as várias cenas propositalmente afetadas de Murder House para, como fica bem claro, reunir o anacronismo artístico de todas as temporadas.

Se Rabe rouba a cena em todo momento que aparece, Lynch também faz um ótimo trabalho ao sacrificar o seu personagem em prol da vingança, seguindo os passos dos outros personagens. Na verdade, para proteger seu legado e impedir que seu filho seja castigado pelos pecados que cometeu no passado, Benjamin decide esperar a chegada de Richard Ramirez (Zach Villa) a Redwood e colocar um fim ao jogo de gato e rato que vêm desenrolando desde o momento em que se encontraram pela primeira vez.

Apesar de algumas falhas técnicas – como a exagerada aglutinação de histórias descartáveis, por assim dizer -, American Horror Story dá um considerável passo em direção ao fastígio, cultivando no público uma sensação crescente de euforia e ansiedade para o season finale. E, caso Murphy e Falchuk permaneçam nesse frenético e sanguinolento ritmo, é possível que o último episódio não seja menos que incrível.



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