Não é exagero dizer que o ano foi de Selton Mello. 2025 começou com o ator brasileiro percorrendo o mundo inteiro na divulgação de ‘Ainda Estou Aqui’ – que culminou na vitória do longa nacional com o Oscar de Melhor Filme Internacional. Mas, Selton não estava presente na ocasião. O motivo? O artista recebera o irrecusável convite para gravar uma superprodução hollywoodiana: o remake de ‘Anaconda’. É assim que o ano começou com Selton estrelando o primeiro filme brasileiro vencedor do Oscar e terminou com ele brilhando na refilmagem de um dos maiores ícones da cultura pop cinéfila: ‘Anaconda’.

Ronald (Paul Rudd, de ‘Homem-Formiga’) é um ator frustrado pois, mesmo tendo corrido atrás de seu sonho cinematográfico, as coisas não deram certo pra ele. Então, ele tem uma brilhante ideia: propõe ao seu grande amigo, Doug (Jack Black, de ‘Escola do Rock’), saírem numa aventura no Amazonas com seus colegas da época de escola, Claire (Thandiwe Newton, de ‘Westworld’) e Kenny (Steve Zahn, de ‘Planeta dos Macacos: A Guerra’), para reviverem o sonho juvenil de se tornarem cineastas realizando um grande projeto – o remake de ‘Anaconda’, o qual Ronald afirma deter os direitos autorais. Nessa aventura amazônica, tudo poderá acontecer, e uma cobra gigante talvez seja apenas o menor dos problemas do grupo.
Em uma hora e quarenta de duração, o novo ‘Anaconda’ é um prato cheio de pura diversão e entretenimento garantido. A sintonia do elenco em conjunto com Selton Mello (que dá vida a Carlos Santiago, o brasileiro cuidador de cobras contratado pelo grupo para fornecer o réptil para as gravações) constrói um dinamismo que, em muitos momentos, confunde o espectador sobre se o que estamos vendo é parte do roteiro ou apenas a química de um grupo de amigos que se juntou pra gravar um filme – na ficção e na realidade.

Mas, da mesma forma como quando reunimos os amigos, eventualmente alguém passa uma linha, também o filme escorrega nesses momentos, exagerando ou criando situações completamente desnecessárias e que acabam pesando a cena, como colocar um esquilo morto na boca de Doug (ainda que explicado, não tinha necessidade para o que acontecia na sequência) ou a todo o background do personagem Kenny, cujo trauma do passado faz o filme parar para uma sequência escatológica cuja única função é quebrar o ritmo do longa. O cinema cômico estadunidense muitas vezes recorre à escatologia como recurso, como que infantilizando seu público. Não tinha necessidade, ficou mal montado e desvia a narrativa para um outro lugar.

Escrito e dirigido por Tom Gormican (‘O Peso do Talento’), o longa se apropria da metalinguagem para alcançar os fãs e cinéfilos, fazendo-nos entender os sentimentos dos protagonistas em sua realização pessoal. Tom fez uma ótima escolha ao elencar Selton para o seu filme, pois, junto com o ator, vai toda a torcida brasileira, que ajuda a engajar a produção mundialmente, além de, claro, em se tratando de uma história que na ficção se passa no Brasil, ter Selton no elenco (e também o ator Rui Ricardo Diaz) ajudou a “abrasileirar” a produção, seja na sequência do “toma”, seja no jeitinho de se resolver os perrengues.
‘Anaconda’ mantém a constância ao equilibrar cenas de ação, de aventura, de terror conduzidas pelo humor, ora genuíno, ora ensaiado – mas que sempre arrancam risadas, entregando um sólido resultado que, como diria o slogan da rede Severiano Ribeiro e divulgada pelo próprio Selton, ‘Anaconda’ é um filme que define a máxima “cinema é a maior diversão”. E a ver pelo final (tem pós-créditos) é totalmente possível esperarmos por uma continuação.



