Crítica | Annabelle 3: De Volta para Casa diverte, mas não assusta

Crítica | Annabelle 3: De Volta para Casa diverte, mas não assusta

Nota:


James Wan conquistou Hollywood com seu Toque de Midas ao transformar a franquia 'Invocação do Mal' em uma das melhores sagas de terror da atualidade, ajudando o gênero terror a renascer e voltar a ser lucrativo.

Com o sucesso, a Warner Bros. viu a chance de criar um Universo Compartilhado e lucrar milhões com filmes derivados apresentando outras entidades, como a boneca do capiroto 'Annabelle' (2014), a endemoniada 'A Freira' (2018) e 'A Maldição da Chorona' (2019).

Com 'Annabelle 3: De Volta para Casa’, o estúdio tenta ampliar ainda mais o leque de personagens com potencial para filme solo e cria sua própria versão de 'Uma Noite no Museu', usando como locação o assustador quarto em que Ed e Lorraine Warren guardam todos os artefatos assombrados. É um show de horrores passear por todos aqueles objetos que serviram para as entidades aterrorizarem o nosso mundo material.


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Após o primeiro filme solo da boneca desapontar, a sequência 'Annabelle - A Criação' (2017) conseguiu elevar a franquia e entregar um terror decente. Porém, a qualidade não se mantém nesse terceiro filme que apresenta um roteiro pouco inspirado e falha em assustar o espectador, mesmo tendo bastante potencial e uma gama de personagens que poderiam ser melhor utilizados.

O filme começa bem ao trazer uma participação especial de Patrick Wilson e Vera Farmiga como Ed e Lorraine Warren passando o maior sufoco ao trazer a boneca endemoniada para casa e prendê-la no Museu do Ocultismo. Após a interessante e sombria introdução, a história se perde. O casal de demonologistas deixa a filha Judy com a babá Mary Ellen e partem para desvendar um novo caso, sem imaginar que a boneca conseguirá escapar e tocará o terror na casa ao lado de um grupo de demônios encapetados.

Apesar da interessante premissa, o roteiro não decola e abusa de momentos que dão mais sono do que medo. A trama volta a ficar interessante no ato final, mas até lá o espectador já desistiu de se interessar pelos personagens e pelas dezenas de entidades que são apresentadas na esperança de criar novos filmes solos e franquias. O terror está no desconhecido, mas aqui todas as entidades são mostradas exaustivamente até perdemos o medo delas.

O ponto positivo está no elenco: McKenna Grace (Judy Warren), Madison Iseman (Mary Ellen) e Katie Sarife (Daniela Rios) nos brindam com atuações acima da média.

Gary Dauberman (roteirista de 'A Freira, 'IT: A Coisa' e 'Annabelle') estreia na direção e demonstra não ter talento atrás das câmeras. Os momentos de tensão se prolongam demasiadamente e Dauberman perde todas as oportunidades de assustar o público com jumpscares mal executados e pouco elaborados, criando um segundo ato arrastado e pouco assustador. Sempre que nos preparamos para tomar um susto, somos surpreendidos pela falta dele. No começo essa desconstrução do terror é até interessante, mas quando é usada desenfreadamente por um diretor pouco talentoso se torna apenas banal e irritante.

'Annabelle 3: De Volta para Casa’ é mais um ponto baixo em uma franquia irregular que demonstra cansaço, se tornando uma paródia dela mesma.


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