O que eu era antes de ser? Com essa pergunta atingindo em cheio a premissa de uma obra que se revela como um poético álbum de família de coração aberto, assistimos, no terceiro dia do Festival do Rio 2025, a um documentário simples em sua estética, mas rico em conteúdo. Apolo atravessa medos, desafios, preconceitos em uma estrada onde o amor é uma chama que nunca se apaga.

Durante a pandemia, já no final de 2021, o casal transgênero Isis Broken e Lourenzo Gabriel conceberam naturalmente um filho. Esse filme mostra o antes – do início da gestação até o nascimento -, reunindo pelo caminho detalhes e experiências pessoais que logo viram reflexões importantes sobre um país onde o preconceito ainda está enraizado.

Há uma contextualização importante e citada no filme: há uma década e meia, o Brasil é o país onde mais se mata pessoas trans. Com esse ponto circulando os temas que se abrem em camadas a partir das experiências do casal ao longo da gravidez, o documentário dirigido por Tainá Muller e Isis Broken, lança luz sobre o debate da transfobia ao mesmo tempo que alcança o momento único e transformador na vida – a chegada de um filho.

Ao longo dos objetivos 82 minutos de projeção, circulamos entre os olhares pelos lugares familiares, a relação do casal com suas próprias famílias chegando até mesmo em memórias perdidas na infância, que logo voltam com o frescor dessa nova chegada. Essa costura entre um antes, presente nas entrelinhas, e o presente é construído em uma narrativa intimista e também corajosa, que emociona em muitos momentos.
Nessa linda homenagem ao filho, a história de uma família que enfrenta o preconceito de peito aberto, é também um grande presente para todos que tem a oportunidade de assistir. Estreia em breve no circuito exibidor. Se eu fosse você, ia correndo assistir!
