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Crítica | ‘Às Vezes Quero Sumir’ – Um olhar sensível e imaginativo sobre o estado de solidão


As descobertas rumo ao desabrochar. Contemplando um estado de solidão, dando sentido ao mesmo através do olhar sensível e imaginativo de uma intrigante protagonista, Às Vezes Quero Sumir, novo trabalho da cineasta Rachel Lambert, se joga com muita inteligência no abatimento de uma visão triste do mundo reunindo peças para se chegar em uma autodescoberta de curtos passos. Um filme reflexivo, com ótima direção e uma brilhante atuação de sua protagonista.

Na trama, conhecemos Fran (Daisy Ridley), uma jovem introspectiva que trabalha em um escritório numa cidadezinha norte-americana. Seu cotidiano é pacato, prefiro ficar sozinha na maior parte do tempo, presa em pensamentos quase indecifráveis mas que dizem muito sobre seu estado de espírito. Certo dia, com a chegada do novo funcionário Robert (Dave Merheje), algo desperta nela e começa a perceber que as peças para se encaixarem para algum tipo de final feliz é preciso dedicação e um querer sobrepondo medos e receios.



Costurando interessantes metáforas que nos levam ao inconsciente de uma pessoa nitidamente em conflito com si mesma, somos convidados para um passeio rumo ao passo atrás de um possível ponto de virada de vida. Através da variável nova em sua bolha involuntária, Fran, peça fundamental de uma narrativa lenta, que preza pelos detalhes e pausas para reflexões, se constrói dentro de um silêncio que de alguma forma ilustra seu pensar, seu agir, num profundo mix de emoções.

As diversas interpretações que o filme pode causar só enriquecem o brilhante roteiro. A manipulação do abstrato em imagens marcantes ganham reais sentidos fazendo a curiosidade saltar aos olhos do público. A ebulição dos pensamentos, das emoções de uma introspecção aparente mas que desabrocha com um movimento de um acordar, muitas vezes em diálogos maravilhosos, chegam como contraponto de uma personagem que personifica a realidade de muitos no observar os detalhes do dia a dia com a frieza de um alguém sem esperanças. Para alguns, pode ser fácil se conectar.

Rodado todo na cidade de Astoria, no Estado de Oregon, Às Vezes Quero Sumir se camufla na simplicidade para nos apresentar complexidades de um mundo que cada vez mais nos mostra os conflitos em relação as necessidades de interação e as interpretações dos lados da moeda que podem surgir através de alguns dilemas.

Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
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