Eternamente Jovens

Pode-se dizer que Os Bad Boys chegou atrasado na festa, já que quando foi lançado em 1995, os filmes buddy cop (de parceiros policiais), febre nos anos 1980, não eram mais novidade. Mesmo assim, o filme conquistou status cult graças ao mercado de vídeo. Ao ponto de, quase dez anos depois ganhar uma sequência.

Os Bad Boys foi o primeiro filme do diretor Michael Bay – saído do mundo dos videoclipes -, e na época do segundo, era um grande nome da ação em Hollywood. Justamente por estar mais consciente de seu próprio estilo, Bad Boys II (2003) é muito mais “um filme de Michael Bay” como o conhecemos hoje. Tire suas próprias conclusões disto.

Bay, no entanto, não pode ser encontrado em nenhum lugar neste terceiro longa. Minto, pois o cineasta faz uma ponta como ator – pegando todos de surpresa – e mostrando que sua saída foi na base do coleguismo. Quem dirige Bad Boys para Sempre é a dupla belga conhecida como Adil e Bilall. E mesmo sem um nome ainda forte no mercado, e emulando o estilo de Bay, os novos diretores se saem melhor na função. Aqui ao menos não ganhamos os cortes epiléticos e a “câmera liquidificador” de Bay, dando uma maior noção geográfica das cenas de ação, e do que acontece aonde e com quem.

O roteiro também ajuda. Se mantendo bem longe da vergonha alheia que foi o segundo (exagerado e estereotipado), o terceiro Bad Boys aposta em elementos que serão melhor apreciados pelos que acompanham a franquia desde seu início, do que pelos novos fãs. Os Bad Boys era um filme para jovens em 1995. Hoje, aqueles fãs já estão com mais 25 anos na carcaça, assim como os protagonistas – considerados “tiozões” pela turminha das redes sociais e dos canais de streaming. E muito da trama se baseia neste choque de gerações, e em envelhecer, mostrando que Mike Lowrey (personagem de Will Smith) já não é tão quente quanto no passado.

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Na trama, um exímio atirador de elite começa a fazer vítimas específicas pelas ruas de Miami. Algumas delas, muito próximas da dupla de policiais mais famosa da cidade. Assim, eles começam a investigar os motivos nefastos por trás dos atentados, e precisarão da ajuda de uma nova divisão dentro da polícia, uma força tática de última geração – que conta com três jovens agentes (personagens de Vanessa Hudgens, Alexander Ludwig e Charles Melton) e a líder da equipe, Rita (papel da belíssima e carismática mexicana Paola Nuñez). De todos os novos personagens, é Nuñez quem sobressai.

Este também é o filme mais dramático dos três. A tragédia se abate logo de cara e continua a surgir, pontuando a história ao longo de toda a duração. Perdas reais são sentidas aqui, dando maior peso à obra. Mas isto não significa que o humor fique de fora – com a química afinadíssima entre os protagonistas. E como é bom ver Martin Lawrence de volta às telonas depois de um longo hiato, demonstrando que ainda é um mestre na arte de fazer humor, completamente em sintonia com seu personagem de duas décadas e meia, Marcus Burnett. Curiosamente, esta é a primeira vez que o nome de Smith surge antes do seu nos créditos.

Bad Boys para Sempre faz referência aos filmes passados, homenageando-os, e surge como o mais pessoal de todos. Aqui, os vilões são os melhores da franquia, e estão intimamente ligados com a história dos heróis. Divertido, genuinamente engraçado e, para a surpresa geral, emotivo, o filme resgata o entretenimento à moda antiga – quando Hollywood ainda se importava com algo além de efeitos e ação. Algo chamado humanidade.

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