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Crítica | ‘Belén: Uma História de Injustiça’ – Indicado da Argentina ao OSCAR 2026 denuncia a criminalização de uma tragédia


Abrindo espaço para discutir questões importantes, como a criminalização de uma tragédia – reascendida na Argentina por conta de um caso ocorrido anos atrás que marcou as manchetes – o indicado do nosso país vizinho ao próximo Oscar, Belén: Uma História de Injustiça, nos mostra o encontro doloroso entre a injustiça e a falta de compaixão humana.

Dirigido e protagonizado por Dolores Fonzi, baseado no livro Somos Belén, de Ana Correa, esse é um daqueles filmes importantes, com muitas reflexões sociais que alcançam questões sensíveis e vulnerabilidades profundas. Como os assuntos abordados são impactantes, abre-se camadas complementares, como a estigmatização social e o controle jurídico – e também moral – sobre as decisões de pessoas que procuram as unidades de saúde com questões relacionadas à gravidez.



Inspirado em uma história real, conhecemos a história de uma jovem que, após dar entrada na emergência de um hospital na cidade de Tucumán e sofrer um aborto espontâneo, é injustamente acusada e presa. Depois de passar anos na prisão, a advogada Soledad Deza (Dolores Fonzi) resolve ajudá-la, começando uma intensa luta por justiça e mobilizando uma forte rede de apoio.

A trama é bem estruturada dentro da narrativa – bastante direta e sem complexidades -, um fator importante para que as mensagens cheguem com mais força ao público. De um sistema judiciário tendencioso da época de algumas cidades na Argentina – que distorcia qualquer imparcialidade – às questões morais envolvidas na situação, vamos conhecendo uma história repleta de dor e sofrimento que toca profundamente.

Com essa estrutura simples, que abre espaço para importantes questões circularem com clareza e profundidade, o longa-metragem exibido no Festival do Rio 2025 e que chegou nesta semana no Prime Video, Belén: Uma História de Injustiça, nos mostra os detalhes do preconceito e os absurdos da criminalização de uma tragédia. Uma obra marcante que usa um tema social silenciado para dar voz a muitas mulheres.

Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
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