Crítica | Beyoncé mergulha na atemporalidade do country e do bluegrass com “Texas Hold ‘Em”

‘Renaissance’, de Beyoncé, emergiu como um projeto muito bem estruturado que teve sua estreia oficial em 2022: com o lançamento de ‘Act I’, a icônica cantora e compositora começava a ressignificar gêneros musicais eternizados pela comunidade afrodescendente em território americano e que foram apropriados pelos brancos – dando o pontapé inicial com o house e o dance, nos levando de volta à comunidade queer negra de Chicago para uma celebração hedonista de empoderamento e de riqueza.

Agora, nossa Queen B está pronta para o próximo capítulo dessa odisseia com o antecipado ‘Act II’. Anunciado ontem (11) durante o Super Bowl, seu oitavo álbum de estúdio será lançado no dia 29 de março de 2024 e já conta com nada menos que dois singles – “Texas Hold ‘Em”“16 Carriages”, permitindo à artista mergulhar de cabeça no escopo country e reavendo o que lhe pertence por direito (além de desassociar a imagem do estilo a apenas nomes brancos do cenário fonográfico).

“Texas Hold ‘Em”, nesse quesito, emerge como uma clássica faixa do country que abre espaço para incursões do americana e do bluegrass em uma sutil rendição que arranca vocais impecáveis de uma das maiores vozes da história da música. Logo de cara, a canção abre com os acordes atemporais de um banjo, pouco depois vertendo-se em uma mistura de cajón e viola que nos leva às raízes de Beyoncé – nascida em Houston, no Texas, e já tendo explorado tais inflexões com “Daddy Lessons”, por exemplo, uma das melhores iterações do aclamadíssimo ‘Lemonade’.

Mas isso não é tudo: além do impecável arranjo instrumental, temos versos eximiamente assinados em uma colaboração com Elizabeth Lowell BolandMegan BülowRaphael Saadiq que nos transportam para uma pequena cidade idílica do meio-oeste estadunidense em um rodeio musical e vibrante (“um passo para o lado, estamos indo ao bar que sempre achamos legal” volta a mergulhar nos prazeres da vida explorados em ‘Act I’, mas revestidos com uma roupagem diferente e muito bem-vinda).

O mais interessante da faixa é a contínua versatilidade explorada por Beyoncé em seu considerável corpo artístico. Pouco depois de realizar uma empreitada de exaltação da cultura afro-americana com ‘Lemonade’ em uma mixórdia de bluesgospel, R&Btrap soul, ela deu um giro de 180º com o house, o dance e o disco de ‘Act I’, apenas para culminar na familiaridade atemporal do country – provando, mais uma vez, que é uma das, senão a maior artista viva do escopo fonográfico. E é claro que, após essa prévia de seu próximo álbum, não poderíamos estar mais animados para ver o que vem por aí.

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Thiago Nollahttps://www.editoraviseu.com.br/a-pedra-negra-prod.html
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

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