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Crítica | Caça Invisível – Pseudo-suspense da Netflix é cansativo e tem final de DAR RAIVA


Todo bom cinéfilo sabe que, por conta da quantidade de filmes que assiste, pode acabar se surpreendendo positivamente, ou, infelizmente, acabar vendo um filme ruim. O segundo caso acaba sendo mais frequente quando pegamos para ver um filme totalmente às cegas, sem saber a sinopse, sem conhecer o elenco, etc. É um risco que corremos. O que de fato pode caracterizar uma produção como sendo fraca é muito variável, porém, existem unanimidades, como é o caso de ‘Caça Invisível’, produção alemã que inexplicavelmente não sai do Top 10 da Netflix.

Cinco amigos se reúnem para comemorar a despedida de solteiro de um deles. É assim que Roman (David Kross), Albert (Hanno Koffler), Peter (Robert Finster), Vincent (Yung Ngo) e Stefan (Klaus Steinbacher) vão para uma floresta no interior da Alemanha para passear de caiaque e depois fazer uma trilha. Tudo vai bem com o grupo até o momento em que decidem voltar para o carro para ir embora, e, de repente, começam a ouvir tiros de espingarda. O que inicialmente parecia um acidente de caça rapidamente se revela como uma caçada aos rapazes sim nenhuma razão aparente, e agora eles terão que fugir para tentar sobreviver.



Escrito e dirigido por Thomas Sieben, ‘Caça Invisível’ não faz o menor sentido, a começar pelo próprio título em português, que é completamente contraditório com a sinopse do filme: se o grupo de rapazes vai ser cassado por uma ameaça desconhecida, e eles são a caça, então não é a caça que é invisível, mas sim o caçador.

Em uma hora e quarenta de duração, o filme parte do nada para chegar a lugar algum. Não bastasse isso, o roteiro ainda fica tentando construir um pano de fundo em que esse grupo de amigos na verdade possui uma série de assuntos mal resolvidos entre si, que vêm à tona nesse momento de tensão; os assuntos, por suas vezes, são extremamente cafonas e previsíveis, ao ponto de ser inadmissível aceitar que o personagem somente então se dê conta da verdade. Isso é particularmente entediante com relação ao protagonista Thomas, com seu estilo bom moço que acredita em tudo e em todos.

Mas como todo cinéfilo de carteirinha quer acreditar que não está perdendo o seu tempo e que em algum momento o filme vai elaborar uma grande reviravolta, fica o aviso: ‘Caça Invisível’ vai entregar exatamente o nada que ele propõe desde o início. Nem mesmo a justificativa ou a construção do dito caçador é razoável, pois parte de uma premissa sem sentido para justificar uma história completamente aleatória. Para aumentar o cansaço do espectador, o filme ainda dedica alguns minutos a contar a história particular do enjoado protagonista, apenas para, no final, jogar tudo fora.

Caça Invisível’ é um filme cansativo, chato e cujas cenas de pseudo-suspense não engajam nem convence. Com atuações rasas, é uma história que força bastante a barra. Por fim, esta produção alemã só traz mesmo a floresta como algo agradável aos olhos.

 

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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