Crítica | ‘Carcereiros’ – Season 01: A Inacreditável Vida De Quem Trabalha na Prisão

Crítica | ‘Carcereiros’ – Season 01: A Inacreditável Vida De Quem Trabalha na Prisão

Nota:

Desde que o filme ‘Carandiru’ – baseado no livro ‘Estação Carandiru’, de Drauzio Varella – teve um inesperado sucesso nos cinemas, em 2003, sob a direção de Hector Babenco, a rede Globo entendeu que o assunto do cárcere tinha pano pra manga, e, melhor ainda: tinha público. Quinze anos depois, ela volta a apostar no mesmo universo, porém, dessa vez com uma série focada no outro lado das barras de ferro.

Em ‘Carcereiros’ acompanhamos a vida de Adriano (Rodrigo Lombardi, bastante competente em seu papel), responsável por trancafiar os detentos e controlar o acesso às celas. Em paralelo, aos poucos vamos conhecendo outros personagens fundamentais para a construção da trama, como os outros funcionários do presídio: o chefe de segurança Jucelino (Aílton Graça), o agente penitenciário Valdir (Tony Tornado) e a diretora Vilma (Nani de Oliveira); além daqueles que compõem o núcleo da vida particular de Adriano: sua filha Lívia (Giovanna Rispoli), sua esposa Janaína (Mariana Nunes) e seu pai, Tibério (Othon Bastos).

Toda a construção do roteiro escrito pelos romancistas Marçal Aquino e Fernando Bonassi, com colaboração de Dennison Ramalho, vai desenvolvendo a profundidade dos personagens aos poucos, em contraste com as situações de tensão vividas por eles. Os embates sutileza Vs. opressão e realidade Vs. ficção são reforçados por uma alternância, dentro dos episódios, de depoimentos de carcereiros de verdade, contando suas experiências em situações similares. Os depoimentos entram logo em seguida de algum ponto crítico do episódio, e são inseridos de maneira tal que fica parecendo que estes civis comuns são atores de fato, narrando episódios, porém, não são, e este é o grande mérito não só do roteiro, mas da série como um todo: aproximar, através de ferramentas narrativas, a realidade e a ficção, afinal, aquilo que vemos na televisão não se distancia em nada daquilo que vemos ao vivo nas ruas.

Aproveite para assistir:



Até literalmente metade da temporada a série caminha bem, trazendo um drama novo por episódio, jogando luz sobre o passado dos presidiários e fazendo o espectador refletir sobre a culpabilidade de cada crime, humanizando os detentos. No entanto, a partir do episódio 9, a trama muda, e centra-se mais na vida pessoal de Adriano, dando voz aos personagens do seu núcleo familiar. Com essa virada, a série perde ritmo e fica arrastada, prendendo-se muito mais na vida fora da prisão do que dentro dela. E, bom, a ver pelo nome do programa, presume-se que o espectador estaria mais interessado no que ocorre dentro do ambiente confinador.

Essa escolha não tira o mérito da série, tampouco tira o brilho da atuação de Aílton Graça, cujo personagem vai de 8 a 80 em poucos episódios. A participação de Matheus Nachtergaele como o detento Monstro nos remete ao primeiro filme que citamos aqui, o que é uma grande homenagem e até mesmo uma autorreferência, afinal, já falei para vocês que a série ‘Carcereiros’ também é baseada num livro do Drauzio Varella? 😉

A segunda temporada está confirmada e estreia em abril na rede Globo.

 


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