Crítica | Cascavel – Suspense da Netflix simplesmente não tem história

Crítica | Cascavel – Suspense da Netflix simplesmente não tem história

Nota:


Durante o mês de outubro a Dona Netflix bem que tentou trazer um bom entretenimento de suspense e terror para o mês das bruxas, porém, a queridinha do streaming falhou miseravelmente. Ela tentou com ‘Fratura’, ‘Eli’, ‘Influência’, ‘Sombra Lunar’ e ‘Campo do Medo’, mas não conseguiu sair do lugar comum. E agora, com ‘Cascavel’, ela ficou ainda mais longe do objetivo.

A sra. Ridgeway (Carmen Ejogo, que até se esforça, mas não consegue imergir o espectador no seu drama) está indo de carro com a filha de Phoenix para Oklahoma, pois tem medo de voar. Quando chegam no Texas, um acidente na estrada principal faz com que ela decida pegar um desvio por uma estradinha paralela, porém, no meio do caminho, o pneu do carro fura. Enquanto está na função de trocar o pneu, sua filha sai perambulando pelos arbustos desérticos de beira de estrada, e acaba sendo picada por uma cascavel. Desesperada, a sra. Ridgeway busca por ajuda e encontra um trailer (que inicialmente não estava lá), e uma mulher suspeitosa diz que pode ajudar, que já curou muitas picadas de cobra. Realmente a menina fica boa – porém, o pagamento por esse milagre viria no dia seguinte: para concluir a salvação da alma da filha, a mãe terá que entregar outra alma no lugar, ou seja, terá que matar alguém.

Na tentativa de ser um ‘Escolha de Sofia’ repaginado em thriller, ‘Cascavel’ peca desde a segunda cena, como descrevemos acima. Pensemos: você está no meio da estrada, trocando o pneu do carro, você deixaria sua filha perambulando sozinha por arbustos no meio do deserto, de onde qualquer mãe zelosa como a protagonista imaginaria que poderia aparecer um bicho peçonhento? Não, né? Ah, mas essas coisas acontecem, criança insistente sai do carro. Ok. Mas e depois, você deixaria sua filha sozinha no trailer de uma mulher bizarra e desconhecida enquanto você vai lá trocar o pneu do carro? Eu acho que não.

Tudo isso acontece nos primeiros dez minutos do filme, o que significa que o resto dos 115 minutos é a protagonista lidando com seu dilema moral sobre reunir coragem para matar e encontrar uma pessoa “matável”.

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Enquanto isso, ela vai sendo cobrada de sua dívida, que tem que ser paga até o por do sol. Como a sra. Ridgeway é uma pessoa de bem, o roteiro insere bem gratuitamente um candidato odiável, para que o espectador consiga perdoar a escolha da protagonista. E a conclusão vai contra a proposta do filme, o que faz a gente se perguntar que se o diretor Zak Hilditch não tinha capacidade de se desfazer da sua moralidade, então por que se propôs a fazer este filme?

Cascavel’ é uma ideia razoável que não teve fôlego nem história para se desenvolver, e o resultado é uma tremenda perda de tempo. A única vantagem mesmo é você olhar para esse filme e pensar que é um longa-metragem estrelado por uma atriz, que praticamente está em todas as cenas e tem um monte de falas – mas isso é bom apenas para a carreira da Carmen Ejogo, e não para o entretenimento do espectador.

Se você estiver buscando uma ‘Cascavel’ que prenda sua respiração, procure os especiais de animais peçonhentos na NatGeo, que são bem mais eletrizantes que este filme.



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