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Crítica | Chappell Roan lida com a perda de um amor com o antêmico single “The Subway”


A trajetória de Chappell Roan no cenário musical vem se mostrando bastante interessante e munida de uma organicidade inegável: afinal, após ter aberto a turnê de Olivia Rodrigo e lançado o aclamado single “Good Luck, Babe!”, a cantora e compositora foi catapultada a um estrelato que lhe rendeu milhões de fãs ao redor do mundo – e que transformou seu álbum de estreia, The Rise and Fall of a Midwest Princess, em um sleeper hit que alcançou números estrondosos e uma sólida recepção crítica. Não é surpresa, pois, que Roan tenha se tornado um dos emblemas da nova geração do cenário fonográfico, dividindo os holofotes ao lado de nomes como Sabrina Carpenter, Rodrigo e Billie Eilish.

Ativista pelos direitos das mulheres e pelos direitos da comunidae LGTBQIA+, Roan sempre fez questão de transformar cada uma de suas músicas em uma declamação extremamente íntima e pessoal que singrou entre as experiências individuais a uma dialogismo universalizante que encantou ouvintes pelo planeta – como “Hot To Go!”“Super Graphic Ultra Modern Girl”“Pink Pony Club”, apenas para citar alguns. E, após ter nos entregado uma interessante faixa country há alguns meses com “The Giver”, a performer continua a fomentar sua próxima era com o recente lançamento da ótima semi-balada antêmica “The Subway”.

Chappell já se mostrou uma competente e habilidosa compositora, principalmente com o já mencionado single “Good Luck, Babe!”, em que discorreu acerca da problemática da heterossexualidade compulsória de forma inteligente, irônica e melancólica – assinando versos potentes e memoráveis. Logo, não é nenhuma surpresa que ela tenha repetido o feito com “The Subway”: aqui, ela se une às conhecidas predileções de Dan Nigro, também responsável pela produção da faixa, para construir uma tristonha história de um relacionamento falido que ainda deixa marcas na cantora – e que a compele a tentar recuperar seu amor perdido. Ademais, a tocante lírica serve como um arauto de cura após um coração partido, abrindo espaço para os familiares arrependimentos que ganham uma máscara original e muito envolvente.



Não é difícil entender que Roan sabe muito bem o que está fazendo e age a seu bel-prazer – motivo pelo qual se entrega de corpo e alma a cada uma das canções que encabeça. Em “The Subway”, ela e Nigro puxam elementos que nos remontam à famosa canção “Somewhere Only We Know”, da banda inglesa de alt-rock Keane, para arquitetar uma atmosfera de letargia inescapável que propulsiona o eu-lírico a lidar com a perda. E isso não é tudo: Nigro, que já trabalhou com Chappell em outras iterações, também promove inclinações a “The Casual” para fomentar uma espécie de continuidade entre o que já foi e o que está por vir.

Cada uma das engrenagens funciona com perfeição invejável e estupenda, seja nos clássicos arranjos do pop e do dream-pop, seja nas referências do indie-rock e do soft-rock que pincelam o encontro entre bateria, guitarra, baixo e piano. E, guiada pelos vocais irretocáveis de Roan, a mixórdia de gêneros encontra um ponto em comum que cresce beatbeat até se encontrar com as inflexões do power-pop e nos convidar a uma jornada que preza pela catarse e pela mais profunda emoção – trazendo, além disso, uma conhecida acidez tragicômica e jogos de palavras que expande as múltiplas camadas da canção.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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