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Crítica | Com Channing Tatum e Kirsten Dunst, ‘O Bom Bandido’ é uma grata e emocionante surpresa de 2025


O Bom Bandido talvez seja uma das surpresas mais inesperadas do ano. Inspirada na nada convencional história de Jeffrey Manchester, a história é centrada no criminoso que ficou conhecido como O Ladrão do Telhado, visto que ele costumava abrir buracos nos telhados de seus estabelecimentos-alvo para roubar cofres para sustentar sua família e ficar ao lado dos filhos. Agindo de maneira gentil e garantindo que nenhum de seus prováveis reféns se machucasse, Jeffrey ganhou as manchetes nos Estados Unidos e, até hoje, permanece preso – com possibilidade de condicional daqui onze anos. Agora, sua vida é levada aos cinemas com um ótimo longa-metragem estrelado por Channing Tatum.

Conhecido por seu trabalho em produções como ‘Se Ela Dança, Eu Danço’, ‘Magic Mike’ e, mais recentemente, ‘Pisque Duas Vezes’ e ‘Deadpool e Wolverine’, Tatum entrega o que apenas podemos caracterizar com a performance de sua carreira ao interpretar o criminoso. Após ser descoberto pela polícia e condenado a 45 anos de prisão, ele descobre um jeito de escapar, escondendo-se em um ponto cego de uma loja Toys “R” Us na cidade de Charlotte, Carolina do Norte, e tentando seguir em frente ao se apaixonar por Leigh (Kirsten Dunst), mãe solteira de duas filhas e funcionária do estabelecimento. E, como podemos imaginar, sua vida sai dos eixos em uma batalha moral entre fazer o que é mais fácil e o que é o certo.



Tatum mergulha de cabeça em um papel que parece ter nascido para interpretar, ainda mais considerando seu inegável charme. É notável como a complexidade do personagem ressoa em sua atuação, nos arrebatando em um emocionante tour-de-force que singra entre a comédia e o drama com facilidade invejável e encantadora. E, se o astro consegue nos entreter com um sólido trabalho, ele por vezes divide os holofotes com a presença rompante de Dunst em mais um papel recheado de camadas. Ora, não é exagero dizer que a atriz é uma das melhores não apenas de sua geração, mas das últimas décadas – e reafirmar sua aplaudível versatilidade nunca é um trabalho cansativo.

A dupla protagonista rende-se a interpretações fantásticas e garantem nosso total envolvimento no enredo, que estende-se por pouco mais de duas gloriosas horas. Mas eles não estão sozinhos e são acompanhados de perto por presenças que incluem Peter Dinklage como Mitch, o odioso chefe de Leigh; Ben Mendelsohn e Uzo Aduba interpretando Ron e Eileen respectivamente, membros da igreja que Leigh frequenta e que automaticamente gostam da personalidade caridosa de Jeffrey (agora adotando o alterego de John); e as jovens Lily Collias e Kennedy Moyer como as filhas de Leigh, que nutrem de uma relação um tanto quanto conturbada até a chegada de Jeffrey na vida da família.

Uma das gratas surpresas do longa-metragem é, sem sombra de dúvida, a forma como o diretor Derek Cianfrance. O cineasta, conhecido por seu trabalho em produções como ‘I Know This Much Is True’ e ‘A Luz Entre Oceanos’, tem uma capacidade incrível de encontrar honestidade e emoção mesmo nos lugares mais inesperados, ainda que utilize alguns convencionalismos para alcançar o que deseja. E, com seu novo projeto, Cianfrance escolhe o momento certo para nos fisgar em arcos mais profundos do que aparentam, garantindo que a química entre os personagens e a coerência dentro da jornada de libertação e redenção de Jeffrey persistam até os créditos de encerramento.

Responsável pelo roteiro ao lado de Kirt Gunn, o realizador une vários gêneros sob uma mesma ótica, esquadrinhando pequenos territórios de originalidade em meio a tropos que sabe orquestrar em uma prática e envolvente narrativa. Trazendo pontuais incursões fabulescas que trazem dinamismo a um enredo que, em outro contexto, poderia ceder à monotonia excessiva, Cianfrance acerta em cheio ao não levar o filme a sério demais e a se deixar guiar por um simbiótico encontro de engrenagens que se completam sem muito esforço.

Como já mencionado no parágrafo de abertura deste texto, O Bom Bandido talvez seja uma das maiores surpresas de 2025, trazendo uma divertida e espirituosa história às telonas enquanto explora as habilidades de um ótimo elenco. Chegando aos cinemas nacionais no próximo dia 16 de outubro, esse grato e simples projeto supera nossas expectativas e se vale do brilho inescapável de Tatum e Dunst em cena.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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