Crítica | ‘Comer, Rezar, Ladrar’ – Um tour pelo vínculo afetivo com nossos AUmigos



O vínculo afetivo que temos com os animais pode ser uma das mais belas páginas que compõem a nossa história. Buscando trazer esse tema com delicadeza e humor, chegou à Netflix Comer, Rezar, Ladrar, um longa-metragem alemão que, sem rodeios, nos leva até os caminhos do trauma, da lealdade e do apego. É uma pena que a insistência em levar suas simpáticas reflexões por meio de estereótipos acabe deixando o projeto na corda bamba da inconsistência.

Na trama, acompanhamos um grupo de pessoas que buscam um famoso lugar especializado em técnicas de adestramento, com o foco de melhorar a relação dos donos com os seus animais. Assim, conhecemos a política Ursula (Alexandra Maria Lara), a atrapalhada Babs (Anna Herrmann), o casal Helmut (Devid Striesow) e Ziggy (Doga Gürer), e também o policial Hakan (Kerim Waller). Durante alguns dias, eles vão criar uma forte ligação com seus cachorrinhos, sob o olhar do misterioso Nordon (Rúrik Gíslason).

Menos chocolate, mais cinema: 10 filmes pra adoçar seu feriado

- Ads -

Dirigido pelo cineasta alemão Marco Petry, o projeto é repleto de boas intenções – um ponto que precisamos levar em consideração antes de qualquer análise mais aprofundada. Em sua construção narrativa linear e de fácil compreensão, a obra nos entrega resoluções simplistas, personagens caricatos e conveniências; mesmo assim, sua força está nas mensagens, que chegam com certa força e de maneira bem objetiva.

Transmitir boas reflexões sobre a relação entre nós e o mundo canino não é algo tão simples e, aqui, com um ritmo cadenciado e pitadas de comédia, consegue-se aos poucos se chegar nos conflitos emocionais que dizem muito mais sobre as pessoas do que propriamente os animais. Para se chegar até esse ponto importante de reflexão – bem amplo, mas aqui condensado em situações que conduzem a revelações –, é sugerido um olhar como o reflexo, logo se chegando na interdependência e responsabilidades.

Há também espaço para um flerte com a atualidade, por meio do cancelamento da personagem Ursula – que personifica toda a desconfiança em torno do mundo político.  Também é abordado, bem nas entrelinhas, as dificuldades de prosperar um pequeno negócio nichado, bem como a necessidade de criar um fato inusitado – aqui, representado pela inserção da cultura celta, para tornar místico algo que é essencialmente mundano, caso do personagem Nordon.

Em resumo, Comer, Rezar, Ladrar atinge ao que se propõe: fazer as pessoas refletirem sobre suas relações com os animais, se tornando um passatempo agradável, mesmo com inconsistências.

 

author avatar
Raphael Camacho Crítico de Cinema
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.

Inscrever-se

Notícias

Assista também:


Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.