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Crítica | Contágio em Alto Mar – Thriller de Ação Surpreende com a Veracidade dos Fatos


Siobhán (Hermione Corfield) é uma cientista antissocial que estuda comportamento marinho e anomalias nos padrões de comportamento das criaturas do fundo do oceano. Para continuar seus estudos, ela precisa fazer uma pesquisa de campo em alto mar, e, por isso, contrata um barco pesqueiro cuja tripulação promete levá-la até onde eles pescam. Tudo vai bem até que o capitão Gerard (Dougray Scott) decide levar o barco para uma zona proibida, e, lá, o pesqueiro bate em alguma coisa que aparentemente parece ser uma grande criatura viva. Então, o que parecia ser uma grande sacada de sorte que poderia gerar enormes lucros para a tripulação rapidamente se converte em um grande pesadelo, afinal, a coisa na qual eles bateram elimina uma substância altamente contagiosa… e mortal.

Uma das coisas mais legais em ‘Contágio em Alto Mar’ é que ele é uma produção irlandesa – e olha aqui o desafio: quando foi que você viu um filme da Irlanda? Embora falado todo em inglês, a produção não perde a oportunidade de inserir elementos da cultura local, seja com termos na língua irlandesa (com características nórdicas), seja com o mote que desencadeia a trama – uma crença popular de que mulheres ruivas dão azar aos barcos – ou, ainda, com a explanação do famoso fenômeno aquático da bioluminescência através das lendas locais. Isso é cultura.



Escrito e dirigido por Neasa Hardiman, ‘Contágio em Alto Mar’ tem um argumento e um desenvolvimento muito inteligentes. Através da ficção, o filme levanta o embate entre ciência – e seus incansáveis esforços de fazer a população ouvir seus apelos de precaução e cuidado diante de uma possível pandemia – e os civis, com seu egoísmo e negacionismo que sempre fazem a sensatez ir por água abaixo. Com uma temática tão atual, fica o alerta de gatilho: o filme retrata situações bastante similares com as que estamos lidando nesses tempos, então, se você ainda não está pronto, talvez seja bom deixar para ver mais pra frente.

Embora tenha uma boa carga dramática, ‘Contágio em Alto Mar’ é um thriller, e daqueles que prende a atenção. Neasa Hardiman faz bom uso do artifício do medo do desconhecido para construir uma ameaça ao mesmo tempo bela e repugnante, provocadora e letal. As situações de ameaça vão sendo inseridas na trama com coerência, de maneira evolutiva, e o espectador vai descobrindo as coisas junto com os personagens, ficando, literalmente, no mesmo barco que eles. Tudo isso sendo conduzido por um bom elenco, com atuações marcantes e convincentes.

Contágio em Alto Mar’ é um ótimo filme, que vale o tempo do espectador. Ao misturar uma realidade possível envolta no ritmo do terror, o filme constrói uma armadilha perfeita para quem está querendo assistir alguma coisa envolvente, que faz você querer chegar até o fim. Disponível no Cinema Virtual.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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