Crítica | ‘Corta-Fogo’ – A moral no campo das suposições marca suspense da Netflix

Uma família em luto, em um dia caótico e repleto de acontecimentos assustadores, é o start de uma trama que embaralha suas peças entre o drama e o suspense. Acredite: nada em Corta-Fogo é o que aparece!

Em apenas 15 minutos, já estamos envolvidos com a história que se projeta por meio do luto prolongado, o confronto com as memórias, achismos, e uma figura misteriosa que beira à ambiguidade e pode estar ligada a um desaparecimento. A sinopse esconde sobre o que é esse filme e somos frequentemente surpreendidos ao longo do restante da projeção. A guinada que o roteiro provoca é muito bem desenvolvida, deixando o público atento a cada nova informação.

Cena de 'Corta-Fogo'
Cena de ‘Corta-Fogo

Mara (Belén Cuesta) chega com a filha Lide (Candela Martínez) e o cunhado Luis (Joaquín Furriel), sua esposa Elena (Diana Gómez) e o filho do casal, para encaixotar roupas e objetos da sua casa que será vendida – decisão tomada após a perda do marido. Enquanto estão no local, uma torre de telefonia em meio à floresta solta faíscas que rapidamente se propagam, culminando em um incêndio florestal arrasador. Prestes a irem embora, Lide desaparece, levando a família a uma corrida contra o tempo – somada a uma variável que surge de forma inesperada.

Cena de 'Corta-Fogo'
Cena de ‘Corta-Fogo

Muito bem dirigido por David Victori, este surpreendente longa-metragem espanhol disponível na Netflix caminha através da moral no campo das suposições, onde a razão humana é colocada em evidência sob o efeito do que é certo e errado quando a desconfiança aparece e não larga mais. Nesse ponto, quando acontece a grande virada da trama, percebemos o nível de tensão crescer a cada possibilidade de descoberta.

Cena de 'Corta-Fogo'
Cena de ‘Corta-Fogo

De um drama familiar até as certezas imprecisas, suposições e desespero que formam o alicerce que afloram nas atitudes dos personagens, vamos sendo surpreendidos por uma narrativa repleta de sugestões apontados para a dúvida. É muito difícil imaginar para onde o roteiro chega em seu desfecho. Essa imprevisibilidade é um dos pontos altos do projeto.

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Corta-Fogo não é um filme de sobrevivência. Se coloca muito mais como um thriller provocativo sobre a culpa que corrói e o perdão que ampara.

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Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.