Crítica | Crimes de Família – Netflix lança Suspense intrigante sobre assassinato



Alicia (Cecilia Roth) é uma mulher rica, e gosta de sê-lo. Gosta de receber as amigas em casa para jantares e chás da tarde regados a fofocas sobre a vida alheia. Gosta de ter Gladys (Yanina Ávila) como sua empregada, mesmo que ela fique com o filho pequeno dela em casa. Aliás, Alicia gosta de fazer-se essencial para esses dois – que, sem ela, nada seriam. Um dia, o telefone toca e é Daniel (Benjamín Amadeo), seu filho, ligando da prisão. Pega de surpresa, ela irá buscar todas as formas para salvar o filho do destino certo no cárcere e manter a reputação de sua família imaculada, afinal, família vem em primeiro lugar, e a sua vem acima de todas as outras.

Olhando assim parece que ‘Crimes de Família’ tem um argumento simples, e tem mesmo. A diferença aqui é a forma como o roteiro de Pablo del Teso e Sebastián Schindel vai apresentando a história. Vemos isso desde a primeira cena, que é mostrada só um pouquinho (ela é fundamental para o desenrolar da história), e, toda vez que o filme avança um pouco, acrescentando elementos para a compreensão do espectador, o roteiro volta e traz um pouquinho mais dessa primeira cena. Isso é feito para que tanto nós, espectadores, quanto a protagonista Alicia possamos seguir juntos no descobrir dos eventos – ou seja, ela vai entendendo as coisas junto com a gente.

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Dirigido pelo também roteirista Sebastián Schindel, destaca-se a habilidade desse diretor em fazer muito com pouco – e se apropriar desse pouco. Por exemplo: o estilo de vida soberbo e aristocrático de Alicia se destaca aos nossos olhos, até mesmo para as coisas mais triviais; mas atente-se, porque o que parece corriqueiro de igual maneira ganha significado no enredo de ‘Crimes de Família’. Sebastián Schindel também se apropria bem dos ambientes em que filma, usando-os como personagens de ostentação em seu filme – a casa, o apartamento, a escola, o tribunal, a prisão etc, tudo faz parte e influencia na construção dessa história.

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Em uma camada superficial, ‘Crimes de Família’ pode parecer um episódio estendido de um desses programas televisivos de investigação criminal, como Law and Order ou CSI, e em muitos aspectos até o é, só que numa versão argentina do programa, e na Netflix, com um bocado de influência do dramaturgo alemão Bertold Brecht. Porém, o que ‘Crimes de Família’ oferece é um retrato de como o racismo estrutural funciona em todos os aspectos sociais, e em todos os países. E isso é visto de maneira bem evidente (para quem quiser ver né, claro) através da história da empregada Gladys, que deve se sentir grata por morar na casa da patroa. Não à toa, é um filme baseado em história real.

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.