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Crítica | Da’Vine Joy Randolph e Meryl Streep estão de volta para mais um irretocável episódio de ‘Only Murders in the Building’


Cuidado: spoilers à frente.

E o novo mistério do Arconia acaba de ficar mais suculento.

Caminhando para o oitavo episódio de sua quinta temporada, Only Murders in the Building continua a revitalizar a própria estrutura com uma narrativa que, semana a semana, ganha mais camadas de pura inspiração criativa. Intitulado “Cuckoo Chicks”, o capítulo que acaba de chegar ao catálogo do Disney+ supera todas as nossas expectativas não apenas por manter o altíssimo nível de qualidade do ciclo atual, mas por sagrar-se como uma das melhores iterações da série (seja em sua ácida e irônica narrativa cômica, seja em uma crescente atmosfera de tensão que culmina em uma reviravolta inesperada).



Pouco depois de terem sido ameaçados por Camilla White (Renée Zellweger) na semana anterior, Mora (Selena Gomez), Charles (Steve Martin) e Oliver (Martin Short) descobrem que a bilionária magnata deseja comprar a quantidade necessária de apartamentos do edifício para transformá-lo no primeiro cassino de Nova York. Abismados com a possibilidade de deixar seu lar, o trio de detetives percebe que precisa agir rápido para impedir tanto que Camilla concretize seus planos e confesse sobre seu provável envolvimento na morte de Nicky Caccimelio (Bobby Cannavale) e Lester Coluca (Teddy Coluca).

Para tanto, Charles e Oliver resolvem convencer o último morador que fechou negócio com Camilla, cujo acordo ainda está em caução, a mudar a decisão e impedir que a bilionária consiga os 51% de moradias para adquirir toda a propriedade; enquanto isso, Mabel recebe a ajuda de Loretta Durkin (Meryl Streep) e Donna Williams (Da’Vine Joy Randolph), levando-as para uma Noite das Mulheres no cassino clandestino localizado no subsolo do Arconia. Acompanhadas pela tristonha viúva Lorraine Coluca (Dianne Wiest), o quarteto cria um plano para garantir que Camilla “bote a boca no trombone” e auxilie o grupo na investigação do caso. Como podemos imaginar, as coisas não saem como o esperado, mas culminam em uma descoberta fabulosa de quem mais pode estar envolvido no homicídio duplo.

O destaque da semana vai para o retorno de Randolph como a incrível Detetive Williams, reiterando o motivo pelo qual nos apaixonamos logo de cara por sua personagem. Desde a temporada de estreia, a oficial se mostrou disposta a ajudar o improvável trio de detetives amadores, tornando-se uma fiel aliada e retornando, mesmo a contragosto, para mais uma perigosa empreitada. Ao longo de quarenta minutos, Randolph reafirma seu poderoso status performático, jogando-se de cabeça em uma atuação que singra entre o sarcasmo e a condescendência de maneira espetacular e irruptiva – praticamente assegurando uma merecida indicação ao Emmy Awards e às outras premiações televisivas.

Para além das ótimas atuações do trio protagonista, Zellweger tem mais uma oportunidade de brilhar e traz alguns elementos a mais para a complexa, controversa e emocional personalidade de Camilla – revelando que, na verdade, ela pode ser uma testemunha-chave dos assassinatos, e não a responsável pelos crimes. Streep, agraciando os fãs mais uma vez com a despojada Loretta, nos apresenta a mais um de seus “sotaques europeus” para extrair informações essenciais para a investigação – dando adeus mais uma vez à temporada após deixar sua marca.

Iniciando com um ótimo monólogo que explora a fragilidade do ego masculino e a necessidade de encontrar um bode expiatório para suas frustrações e decepções, o roteiro de Kristin Newman e McKenna Thurber reúne os melhores elementos dos filmes e séries de mistério que permeiam o imaginário popular para um dos arcos mais sagazes e pungentes da temporada. A dupla assina um enredo que garante nossa total atenção, permitindo que mergulhemos de cabeça em falsas pistas que logo se transmutam em um glorioso gancho para a próxima semana – e recheando o episódio com diálogos ácidos e muito bem equilibrados entre comédia, drama e suspense. E, por mais que abra espaço para subtramas que reúnem personagens antigos e novos em único microcosmos, percebemos um cuidado adicional que permite uma “rota de fuga” dos exageros e transferir o foco para o prático em vez do ousado (e isso, de fato, não é um problema aqui).

O mais novo capítulo de Only Murders in the Building permanece em uma maré de criatividade inenarrável e que nos instiga cada vez mais, tornando a tarefa de retornar à plataforma do Disney+ a cada sete dias prazerosa e quase sagrada. Agora, nos aproximamos de um antecipado season finale com apenas mais duas iterações a serem exibidas – e, nesse momento, qualquer um pode ser suspeito.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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