Em dezembro do ano passado, Dua Lipa cedeu uma breve entrevista ao Metro para falar um pouco sobre seu novo álbum de estúdio, Future Nostalgia. O novo e aguardado CD, que já estava precedido por singles oficiais que resgatavam a sonoridade chiclete e estonteante da década de 1980, pavimentavam um caminho glorioso que se afastaria do trap minimalista majoritário dos anos anteriores e resgataria uma dançante ode às discotecas e às lendas que surgiram ou se consolidaram na época em questão. Segundo ela, a ideia era sair da zona de conforto – e, sem perceber, ela adentrou um conhecido cenário do qual não sabíamos que precisávamos até então. E o resultado final, como já era de se esperar ao longo de quatro canções promocionais, não poderia ser menos que irretocável.

A performer havia mostrado seu apreço pelo synth e pelo electro-pop ainda em 2017 com o lançamento de seu álbum homônimo; agora, mergulhando de cabeça em escopos mais maduros e mercadológicos ao mesmo tempo, ela voltou aos holofotes de modo categórico, sem deixar de lado o charme pelo qual os fãs se apaixonaram algum tempo atrás. Não é surpresa que ela tenha trazido certos elementos de seu début na indústria fonográfica para modificá-los em breves e envolventes pérolas, vibrantes com energia e com poderosas letras que nos arremessam de volta ao passado e contemplam basicamente todos os artistas mainstream que podemos pensar. Logo de cara, temos o hino de independência que carrega o título da obra e que apresenta o que podemos esperar das outras faixas – como a impecável e gradativa “Don’t Start Now”, que volta-se para o baixo e para os sintetizadores com amor irrefutável.

Dua Lipa prova que veio para ficar – e que está pronta para fazer parte das A-Lists da esfera musical. Ao longo de onze canções unidas em um mesmo pano de fundo e convergindo para uma homenagem aplaudível àquilo que a inspira desde sempre, a cantora representa uma urgência coletiva, um pastiche cultural que é canalizado sem qualquer presunção (e era de se esperar que alguém recuperasse a união de vários segmentos, visto que há tempos não víamos isso com tanta expressividade no panorama geral). “Cool”, por exemplo, exala as repetições clássicas de bandas como Pearl Jam e mostra como alinhar os acordes retumbantes da bateria eletrônica e os bruscos cortes antes de voltar ao seu escopo onírico; “Physical” faz uma impactante e sexy declaração de amor a Olivia Newton-John e nos convida para dançar como se não houvesse amanhã; e “Break My Heart”, último single divulgado, deixaria Diana Ross muito orgulhosa.

Nota-se, da mesma forma, uma sabedoria interessante que se alastra para os mínimos detalhes das composições, guiadas e produzidas por um brilhante time que inclui Stuart Price e Andrew Watt. “Levitating”, escondida no miolo do CD, alastra referências para Earth, Wind & Fire e para Bee Gees quando opta pelas múltiplas camadas vocais, ao passo que inclina-se para os primórdios do R&B quando cria bridges inesperadas e quando deixa a guitarra tomar conta dessa mixórdia instrumental. “Hallucinate”, uma das melhores tracks das últimas décadas, permite que Price atue com força descomunal e faça menções a Aphrodite e Confessions on the Dancefloor sem deixar que a identidade radiante (e pautada nos roucos autotunes) seja varrida para debaixo do tapete.

Mesmo iterações familiares encontram espaço o suficiente para cintilar, como é o caso da arquitetura midtempo de “Pretty Please”, longinquamente nos lembrando de Prince e, num período mais recente, de Janelle Monáe. Já Chelcee Grimes empresta sua incrível habilidade como compositora em “Love Again”, mais um obra-prima que busca inspiração em nomes como Donna Summer e Roberta Kelly, aproveitando os agudos violinos para mostrar seu respeito para os anos 1970 e abrir as portas para um onírico e narcótico night club movido a disco e ao classicismo dos embalos de sábado à noite. E, para citar um jornalista que também se propôs a escrever uma crítica do álbum, a performer está no volante e sabe exatamente aonde quer ir e qual seu destino – conseguindo cumprir tudo o que promete e mais.

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A tecedura e a potência vocais de Dua Lipa são conhecidas desde seu estrondoso aparecimento no centro do palco; todavia, ela se rende a um novo nível que parece simples e invejavelmente natural, consolidando-se com a fluidez de “Good In Bed”, uma faixa nascida do cruzamento entre a arte de Lizzo e de Amy Winehouse, com batidas provocantes e cativantes que a princípio parecem alheias ao conceito apresentado nas investidas anteriores, mas que também encontra seu lugar. O deslize se concentra com exclusividade em “Boys Will Be Boys”, cuja base fabulesca e orquestral é ironicamente atual demais (em outras palavras, a canção funcionaria melhor em outro espectro, talvez até mesmo sozinha).

Future Nostalgia é um majestoso e raro álbum em que nenhuma peça fonográfica está abaixo da média. A jovem artista superou a si mesma e às nossas expectativas, mesmo nos preparando há vários meses para o que viria. É gratificante e emocionante ver o pop voltando ao seu age – ainda que, para isso, resgate um passado não muito distante.

Nota por faixa:

  • Future Nostalgia – 4,5/5
  • Don’t Start Now – 5/5
  • Cool – 4,5/5
  • Physical – 5/5
  • Levitating – 5/5
  • Pretty Please – 4/5
  • Hallucinate – 5/5
  • Love Again – 5/5
  • Break My Heart – 5/5
  • Good in Bed – 4/5
  • Boys Will Be Boys – 3/5

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