Crítica | De Volta ao Jogo

Crítica | De Volta ao Jogo

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Keanu Reeves segue ensaiando seu retorno

Vocês conhecem Keanu Reeves. De ator juvenil, ele atingiu os holofotes de verdade em 1994, com o hit Velocidade Máxima (antes de Matrix). Obviamente, Reeves já havia aparecido em outras tantas produções, mas foi no filme de Jan de Bont (diretor de fotografia transformado em cineasta) que o ator se tornou um verdadeiro leading man. Daí seguiu protagonizando em filmes de sucesso variados (e fracassos) no terreno do drama, romance, suspense e ficção.

A segunda grande explosão (essa maior), como todos sabem veio com Matrix (1999) e suas continuações (2003). Depois da grande exposição, Reeves foi aos poucos (intencionalmente ou não) se distanciando dos radares, trabalhando apenas em produções independentes (muitas nas quais apenas coadjuvava) e dando origem a diversas especulações sobre sua vida pessoal desapegada e, de certa forma, triste. Todos conhecem o meme do “sad Keanu”.

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Retornando do seu “tempo de descanso”, Reeves lançou ano passado o ambicioso 47 Ronins, da Universal. Além da grande produção, o ator decidiu investir também na direção, estreando com O Homem do Tai Chi, novamente abordando sua forte paixão pela cultura asiática e de artes marciais. Apesar do retorno em grande estilo, nenhum dos dois filmes obteve o sucesso esperado. Agora, Reeves tenta novamente com De Volta ao Jogo, filme mais direto, que aborda um tema clássico: a vingança.

No thriller do estreante Chad Stahelski (supervisor de cenas de ação em grandes projetos, como Jogos Vorazes, Wolverine e Os Mercenários), Reeves é John Wick. O sujeito trágico lamenta a perda recente da esposa, vítima de uma doença fatal. A cena inicial, com o protagonista tendo que reaprender o dia a dia sem a companheira, é digna do mais devastador drama. Para completar o teor melancólico, sua falecida mulher lhe envia do “túmulo” um animalzinho de estimação, na forma de um filhote de beagle – mais gracinha impossível.

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Sabemos que o momento “ternura” irá durar pouco, afinal “John Wick” (título original) é filme de macho. Logo, criminosos russos invadem a sua casa, espancam-no e, se você já viu o trailer sabe o que acontece ao animalzinho. O comandante da operação é o filho de um poderoso rei do crime da cidade, interpretado por Alfie Allen (da série Game of Thrones). Infelizmente para todos os envolvidos, o prejudicado na história é John Wick, o matador mais casca-grossa do pedaço. O sujeito inclusive trabalhava para o pai do vilãozinho. Como ele nunca ficou sabendo do fato não me pergunte.

Agora será um salve-se quem puder, quando Wick desenterrar suas armas do concreto no chão de sua casa e partir para a pura e simples vingança, afinal esses sujeitos tiraram sua última lembrança da esposa. De Volta ao Jogo, como dito, utiliza uma estrutura clássica de roteiro, que é fundação para o gênero do faroeste, por exemplo. A do homem mau, que desistiu da vida ruim, mas é forçado a voltar a ela por uma última vez. Misturada está a trama de vingança, que é tanto utilizada com o “homem comum” (Desejo de Matar), quanto com o “matador aposentado” (o recente O Protetor).

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O filme encontra sua virada na “não seriedade”. De Volta ao Jogo é estilizado, quase ao ponto de não ser levado totalmente a sério. As cenas de ação, com Reeves entrando em boates e matando tanto quanto os “exércitos de um homem só” dos anos 1980, lembram um vídeo game. Reeves se movimenta rapidamente, mas o foco é na camisa branca que nunca é suja de sangue (somente ao final, para ganharmos a gag com a lavanderia).

Os personagens são caricatos, temos o amigo matador veterano (Willem Dafoe), o educado porteiro de um hotel de assassinos (Lance Reddick) e a sexy e letal homicida (Adrianne Palicki). Tudo remete ao universo das HQs, embora “John Wick” seja uma ideia “original”. O resultado final não fica lá nem cá, e o filme não emerge totalmente numa seriedade crua, tampouco é cartunesco o suficiente (embora cambe mais para este lado).