Crítica | Deadly Class – Ótima série com a turma da ‘Sonserina’

Crítica | Deadly Class – Ótima série com a turma da ‘Sonserina’

Nota:

Imagina se a saga do Harry Potter não focasse nele, mas sim no Malfoy e sua turminha? É mais ou menos isso o mote da primeira série pop-teen do canal SyFy, exibida pela Globoplay, ‘Deadly Class’: uma escola onde todos os alunos são maus que nem lobo mau e onde eles aprendem tudo que há de ruim, desde aulas de envenenamento, combate corpo a corpo, técnicas de assassinato com requinte, Psicopatia Básica, workshop de zarabatana, e por aí vai. O calendário acadêmico inclui ainda aula com um professor que é literalmente um psicopata, que precisa ficar trancafiado nos porões da escola com uma coleira no pescoço para ser contido.

Já dá para imaginar a loucura que é essa série, né?

Baseada na HQ de Rick Remender, a série foi produzida pelos Irmãos Russo, responsáveis pelo sucesso dos filmes da Marvel. Isso já seria suficiente para chamar a atenção, mas a história em si também é bem maneira: Marcus Arguello (Benjamin Wadsworth, de ‘Teen Wolf’) é um adolescente comum que vive nas ruas, tentando sobreviver. Um dia, ele é recrutado por pessoinhas bem esquisitas para entrar na escola Reis Soberano, onde descobre que apesar de ser um local onde os adolescentes aprendem técnicas de malvadeza, esses mesmos alunos se dividem em castas – o cartel mexicano, dos gangsters do Bronx, a máfia italiana, os punks/skinheads/ hoolingans da Inglaterra, a yakuza barra pesada do Japão, os nazistas arianos, a KGB, etc. . Também tem os nerds, que são filhos de políticos corruptos, banqueiros, espiões da NASA, e por aí vai.

Supostamente essas classes não deveriam se misturar, especialmente com os Ratos – aqueles que não se enquadram em nenhum grupo e que, lógico, é onde o protagonista se enquadra. Mas, com o jeitinho ‘carne nova no pedaço’ dele, rapidamente ele consegue juntar pessoas de cada grupo numa tremenda enrascada, que, consequentemente, vira amizade. Destaque para a terrivelmente doce Saya (Lana Condor, a fofíssima de ‘Para Todos os Garotos que já Amei’), como uma samurai sanguinária da yakuza, e para a bela Maria (María Gabriela de Faría), que fica tão bela sem maquiagem quanto quando se monta como uma atraente caveira assassina do Dia de los Muertos.

Aproveite para assistir:


A história se passa em 1987, ou seja, a trilha sonora é fooooda. Toca INXS, The Cure, Smiths, Nirvana, Adolescents, U2, Beastie Boys, Bad Religion, entre outros. Ah, sim, e em determinado momento, Marcus vai trabalhar numa loja de quadrinhos, ou seja, sobra espaço na série para discussões sobre a saga da Fênix Negra ser a melhor história dos X-Men ou se os irmãos Hernandez são os melhores quadrinistas.

Para quem curtiu séries como ‘La Casa de Papel’ (tem cenas em sala de aula que são bem parecidas), ‘Elite’ (o uniforme é igual) ou mesmo a franquia Harry Potter, ‘Deadly Class’ é o que há de melhor em todas essas. Atenção especial para o 1º episódio, em que os personagens são apresentados, e para o 5º episódio, em que Marcus toma sete papelotes de LSD em Las Vegas e fica viajando (em todos os sentidos) o episódio todo. Essa viagem alterna diversas técnicas de animação, um verdadeiro deleite para os olhos. Mas todos os episódios têm uma parte em que um personagem conta sobre sua vida passada, e esse momento anterior é contado através de animação, semelhante à HQ, lembrando as raízes da série.

A série faz diversas referências a elementos do mundo pop, direta e indiretamente, tais como Ghostbusters, ‘Tobey Maguire’, Robocop, Pet Sematary e Duna. Ideal para quem curtiu o filme ‘How To Talk to Girls At Parties’, que já resenhamos aqui no CinePOP, ou a recente ‘Umbrella Academy’. O único problema é não sabermos quando ou se a série passará em canal aberto da Rede Globo, ou mesmo se ela irá comprar uma possível 2ª temporada. Aguardemos.