terça-feira, fevereiro 27, 2024

Crítica | Destinos Opostos – Quando o Novelão Pantaneiro Entra nos Cinemas

Quando a novela Pantanal estreou na tv aberta brasileira em 1990 o público ficou fascinado ao ver, talvez pela primeira vez, uma parte do Brasil conhecida apenas por aqueles que viviam aquela realidade. Era um Brasil belo, selvático e desconhecido de seu próprio povo. Em 2022 uma nova versão dessa novela estreou na TV Globo e voltou a reacender o frisson pelo estilo pantaneiro de vida. Isso comprovou não só o interesse contínuo do grande público sobre esse cenário, como também constatou que precisávamos de outras histórias e outras narrativas oriundas dessa região em outras plataformas para além da TV aberta. Nessa pegada, estreia a partir dessa semana nas salas de cinema nacionais o dramaDestinos Opostos’.

Nascido no Pantanal e filho único de um grande fazendeiro, Tony de Barros (Breno de Filippo) decide romper com suas raízes. Ambicioso e movido por um sincero desejo de vitória, ele parte para uma vida distante de tudo que o machuca, construindo uma carreira empresarial de sucesso internacional e, no âmbito pessoal, ligada a mil na adrenalina, competindo em ralis pelo deserto e namorando uma mulher (Carina Sacchelli), que reclama de tudo. Após receber uma ligação comunicando-lhe da morte do pai, Tony é obrigado a reencontrar o passado e voltar à sua terra natal, em uma viagem que pode mudar sua forma de pensar.

Três fatores chamam a atenção em ‘Destinos Opostos’. O primeiro deles é o alto grau de produção e de investimento, que incluiu cenas gravadas em Las Vegas, nos Estados Unidos e muitas imagens aéreas feitas por drone. O segundo ponto são as paisagens belíssimas, de tirar o fôlego, ambientando a história num cenário rural comumente visto apenas nos jornais. Por fim, mas não menos importante, o elenco, que conta com nomes e rostos conhecidos tais como Daniela Escobar, em participação especial, Jackson Antunes, Eucir de Souza e Marcos Breda.

O roteiro de Erik de Castro busca englobar três cenários distantes entre si em tempo e em espaço (o passado na fazenda, a vida de competidor de rali e o frenesi da vida luxuosa entre Las Vegas e São Paulo de um empresário de negócios, ambos no tempo presente) sendo intercalados pelo tempo atual na fazenda, que é quando a maior parte da história acontece. Nessa ponte aérea geográfica a história parte de metáforas visuais para explicar o subtexto da sua trama principal (Tony sempre rivalizou com Waldir, e esse espírito de competição o levou a se transformar em piloto de rali); a questão é que essa metáfora não fica evidente, e a sensação é a de que a história acaba criando muitos núcleos paralelos em vez de focar no seu tema principal.

Walther Neto oferece muitos elementos da teledramaturgia em seu filme, seja na introdução de temas bem dramáticos em momentos-chave da história, seja nas constantes tomadas aéreas das paisagens para fazer a transição do tempo narrativo, seja nas múltiplas cenas de cotidiano para dar a sensação de passagem de tempo na história. Para quem viu qualquer uma das versões da novela ‘Pantanal’, ‘Destinos Opostos’ é um prato cheio que oferece recursos, personagens e conflitos dramáticos bem similares ao que já foi visto na televisão – o que é uma jogada inteligente. ‘Destinos Opostos’ visa o público que curte telenovelas, de modo que essas pessoas encontrarão neste filme as mesmas características que encontra nas novelas de que gosta. Assim, o filme busca atrair um público há muito distante das salas de cinema.

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