Crítica | Deus Não Está Morto 3: Perde o brilho do original, mas mantém sua essência para os fãs do gênero

Crítica | Deus Não Está Morto 3: Perde o brilho do original, mas mantém sua essência para os fãs do gênero

Nota:

Em 2014, na época de seu lançamento, o drama Deus Não Está Morto se tornou uma sensação absoluta, quer a crítica concorde ou não. Com uma abordagem partidária, que parte da perspectiva direta do Cristianismo, o longa estrelado por Shane Harper (Boa Sorte, Charlie!) trazia uma temática atual, firmada na existência ou não do Criador. À época, a produção ponderou uma vasta pesquisa entre pensadores ateus e cristãos e promoveu um debate interessante sobre um assunto que jamais envelhece. Quatro anos depois e uma evidente consolidação, a franquia chega em seu terceiro capítulo, mantendo o título original, mas se desvinculando efemeramente da premissa de origem. Aqui, o debate não é mais a existência de Yaveh, mas sim sua relevância.

Crítica | Deus Não Está Morto 3: Perde o brilho do original, mas mantém sua essência para os fãs do gênero

É natural que Deus Não Está Morto – Uma Luz na Escuridão não agrade muitos. Em se tratando da produção, distingui-la das demais não é algo tão óbvio. Conquistando muitos fãs de blockbusters, a franquia permeou o universo hollywoodiano com uma premissa que caminha na contramão. Fruto de um estúdio integralmente dedicado para filmes cristãos fundamentados genuinamente na Bíblia e – naturalmente – com fins evangelísticos, o drama é assinado pela Pure Flix, cujo objetivo não é competir com longas de grande porte, grandes orçamentos e com a abstenção do compromisso em fidelizar seu roteiro nos escritos sagrados. Buscando cumprir um papel sócio religioso, a empresa desenvolve filmes que poderiam entrar na categoria “edificante”, muito mais que a do puro entretenimento.

Sem o compromisso de competir com as epopéias hollywoodianas com fundo bíblico, diretores aclamados e atores de renome como Êxodo: Deuses e Reis (do Ridley Scott), Maria Madalena (do indicado ao Oscar, Garth Davis) e até mesmo Noé (de Darren Aronofsky, cuja base adaptativa fora uma história em quadrinhos), Deus Não Está Morto 3 quer apenas enviar uma mensagem – seja ela do agrado da crítica especializada ou não. E dentro deste contexto, a produção acerta. A direção pouco elaborada de Michael Mason traz de volta o reverendo Dave Hill (David A.R. White) lutando para manter uma igreja centenária, em virtude de uma série de manifestações contrárias que pedem a extinção do templo, por considerá-lo um erro. Dentro deste contexto, uma jovem com conflitos espirituais, Keaton (Samantha Boscarino), tenta se reeencontrar, à medida que questiona suas escolhas pessoais.



Crítica | Deus Não Está Morto 3: Perde o brilho do original, mas mantém sua essência para os fãs do gênero

Com um elenco um tanto desconhecido – salvo por John Corbett, que recentemente estrelou a nova e elogiada comédia romântica da Netflix, Para Todos os Garotos que Já Amei, e pela presença da mais jovem vencedora do Oscar da história, Tatum O’Neal -, o terceiro capítulo da saga se distancia da qualidade do original, que foi capaz de transpor a barreira do Cristianismo, conquistando uma série de pessoas distantes deste círculo. Sem uma temática tão boa quanto, Deus Não Está Morto – Uma Luz na Escuridão é romântico na exposição da esperança que promove, mas beira o piegas, com um roteiro óbvio demais, que reconta histórias que já vimos antes. Por ser um tanto repetitivo, a trama perde o vigor que o primeiro filme conquistou, não fazendo jus ao título que recebe, por justamente estar longe demais da perspectiva do original.

Mas por fortalecer as convicções que prega em prol de seu próprio público, o terceiro capítulo não desaponta os fãs, embora seja desencorajador para aqueles que não possuem a curiosidade ou interesse no gênero. Mantendo sua essência de utilizar a Bíblia como material fonte para a construção de suas tramas, a Pure Flix continua caminhando em território seguro, fazendo o que sabe melhor, entregando filmes distintos para cristãos e para o evangelismo, repletos de referências a textos do livro sagrado, sem a obrigação de promover aquele nível de entretenimento que Hollywood tanto almeja e que – talvez – alguns esperem ao ir para o cinema. Mas ainda assim, com uma base de seguidores consolidada, ela continua impressionando por seu alcance de público, a partir da cativação que lá em 2014 ela conseguiu gerar. E pode ser que este não seja o filme sobre Deus que você esperava, mas Deus Não Está Morto – Uma Luz na Escuridão é o filme que muitos precisavam.





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